29 de janeiro de 2023

Entramos na reta final das festas das firmas, amigo oculto da turma da hidroginástica/crossfit/zumba, os presentes da família, compadres, afilhados, amigos. O que não falta é livro para tudo quanto é leitor – até os menos chegados à leitura.

Para a sogra, tia ou amiga de qualquer idade, Bolo de limão com sementes de papoula (Faro Editorial, R$ 59,90), de Cristina Campos, vai encantar tanto quanto a receita de quitutes da família,  que precisa se reunir para acertar um processo de inventário. O encontro traz à tona segredos guardados por décadas de separação de duas irmãs que se tornaram desconhecidas uma para a outra. Romance de estreia da autora espanhola, já vendeu mais de 300 mil cópias no mundo inteiro e teve os direitos comprados para o cinema.

Quem não é muito de leitura, mas adora jogos de adivinhações, há de se entusiasmar com A mandíbula de Caim (Intrínseca, R$ 49,90 ), de Edward Powys Mather, que criava palavras cruzadas para o jornal britânico The Observer. Lançado em 1934, o livro permite diversas combinações que levam à identificação de seis assassinados e seus assassinos, em textos curtos distribuídos em 100 páginas. Até hoje apenas três pessoas conseguiram desvendar o enigma, recheado de referências literárias milenares. O título evoca o bíblico assassinato de Abel pelo irmão Caim, enquanto Mather assinava com o pseudônimo Torquemada, o temido chefe da  Inquisição espanhola, na Idade Média. Um jogo de detetive, com páginas destacáveis, intrigante, fascinante e realmente difícil.

 

 

O contraponto entre duas mulheres de vidas pouco convencionais dá ritmo a O grande círculo (Alta books, R$ 89), de Maggie Shipstead, que se baseou na vida de diversas mulheres pioneiras na aviação para criar Marian Graves, piloto de Spitfires durante a Segunda Guerra Mundial, desaparecida ao sair em voo de circum-navegação pelo globo, nos anos 1950. Atriz que teve sucesso como protagonista de uma telessérie em criança, Hadley Baxter passa a estudar a vida de Marian, que vai interpretar numa biografia cinematográfica. Famílias desestruturadas e o ímpeto para se lançar em aventuras são pontos em comum entre Marian e Hadley, que espera descobrir o mistério do desaparecimento da aviadora. Ideal para a prima jovem que começa a trilhar os caminhos feministas.

 

 

O surgimento da favela Mãe Luiza, em Natal, no Rio Grande do Norte, nos anos 1940, é tratado literária e factualmente em Mãe Luiza – Construindo otimismo  (Gryphus, R$ 129). Na primeira parte, A construção de um novo sol, o escritor carioca Paulo Lins conta como os primeiros moradores chegaram à região, construindo casas de taipa perto da Praia da Areia Preta. Hoje, um paredão de edifícios altos separa os pioneiros na ocupação local da praia. O crescimento do bairro, as melhorias obtidas pelo empenho da comunidade e do padre que da igreja católica da Mãe Luiza são narrados por membros de entidades que apoiam e financiam projetos de qualificação, educação e inserção social para aquela comunidade. Um livro-relatório importante sobre o Brasil que se esconde nos próprios centros urbanos.

 

 

 

 

 

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