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O Censo, cada vez mais essencial

Luiz Claudio de Almeida 4 de julho de 2023 5 minutes read
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Dizer-se que o IBGE é um dos organismos públicos mais essenciais do país, é chover no molhado. Se o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística só produzisse o recenseamento geral do país a cada temporada que lhe é obrigatória, já seria o bastante para mantê-lo. E exigir a execução fiel e pontualíssima do Censo Nacional do Brasil. O que para indignação geral quase não ocorreria há pouco mais de um ano, quando o então governo federal alegou falta de dotação orçamentária. Logo aparecida, como por milagre, por fulminante determinação emitida pelo Supremo Tribunal  Federal. Agora, embora atrasado, até por conta da Pandemia 2020-21, os primeiros resultados começam a ser divulgados pelo IBGE. E causam alguma surpresa, especialmente para o Estado do Rio de Janeiro que teria diminuído de 220 mil moradores nos últimos 20 anos.
Toda a população necessariamente deveria saber – e prontamente colaborar – quando o recenseador bate à porta de cada brasileiro. Pois será a partir dos resultados dessa grande pesquisa nacional que os pulmões e o coração do país são investigados e contabilizados.
 Isso permite resumir longa história, aquilo que de fato o país precisa em prioridades. E quem necessita: suprir necessidades básicas com políticas públicas pontuais.
Como pretendo me deter no assunto Censo Geral do Brasil em próximos textos, fiquemos hoje centrados em nosso prestigioso Estado do Rio de Janeiro e seus municípios. Não sem antes fugir para um único item de pesquisa setorizada, exatamente aquela que me deixou quase desconsolado: a colocação do meu time de coração, o Fluminense, a uma horrenda 18ª classificação. Quanto ao Flamengo ser apontado como campeão pela torcida nacional, disso tinha certeza. Mas a apontada preferência da maioria pelos times paulistas em detrimento dos cariocas ajudou a azedar meu humor.
Por isso, passo ao que interessa mais, o nosso Estado do Rio, um tanto  mais animador pelas pesquisas do Censo. Quando me refiro a animador, isso embute sólidas opiniões pessoais, consolidadas ao longo de vivência já alongada. Como por exemplo, preferir o menos ao mais. Especialmente em habitantes, automóveis às ruas, escolas, hospitais, boas políticas públicas essenciais. A queda da população fluminense foi puxada pelos dois maiores municípios do Estado, a capital, a cidade do Rio, que se terá aliviado em menos 109 mil pessoas, e São Gonçalo, com menos 103 mil. Alguns especialistas agora se apuram para deduzir teses cabíveis, entre as quais “perfil etário”, a “interiorização dos moradores” pelo temor da pandemia COVID 19, “o custo de vida”, “serviços públicos deficientes” (escolas, hospitais), “violência”, etc., etc.
Um dado concreto já contabilizado pelo Censo é que a Região Metropolitana encolheu, agora corresponde a menos de 200 mil habitantes. Lembro-me de que ainda há poucas décadas  aprendíamos nas escolas noções básicas de que quanto maior o número de seus habitantes, mais conceituada seria a cidade, o país. Até que pesquisas em sentido contrário indicassem o oposto. Países mais ricos, mais felizes, mais bem servidos por serviços públicos exemplares seriam os de menos habitantes. Que disputavam em melhores condições a saúde pública, a escola e a alimentação. E aí caiu a ficha na grandiloquência desvairada de certos megalômanos caolhos.
Outro município do Grande Rio a ter diminuição populacional foi São João do Meriti, na sempre problemática Baixada Fluminense, considerada pejorativamente de cidade-formigueiro, porque a mais adensada do Estado e, o pior, também terceira recordista nacional, com 12.500 moradores por quilômetro quadrado.
A governança pública federal do país se esmera em não aceitar os prumos de razoabilidade, porque as cidades que perdem habitantes também perdem dinheiro. Explico: o número de habitantes continua sendo regra inamovível do Governo Federal para aumentar ou diminuir repasses pelo Fundo de Participação dos Municípios. Só agora o Instituto Rio Metrópole começará a estudar de modo estratégico o porquê a população abandona seus Municípios. Certamente por alguma insatisfação, jamais por excesso de facilidades. É apenas um processo lógico de “lógica”, de inteligência dedutiva.
Citei acima há pouco a Baixada Fluminense. Lá, segundo a primeira pesquisa aqui comentada, quatro cidades ostentam maior redução de números absoluto de habitantes. E Duque de Caxias é o recordista, com agora menos 47% de moradores. Entre as causas pesquisadas da fuga populacional está a violência, em primeiro lugar. Em contrapartida à deserção populacional em Caxias, outra surpresa apontada pelo Censo foi o crescimento de Maricá, com um aumento recorde no Estado do Rio de 54%. Ou seja, nos últimos 12 anos Maricá  (tive casa  de veraneio por lá durante duas décadas ) foi adotada por quase 70 mil pessoas a mais.
Contraponto dramático, de resto, a São Gonçalo, a cidade mais abandonada pela população fixa, com menos 100 mil habitantes. Por que a vertiginosa diferença entre dois municípios que estão a apenas 30 quilômetros entre si?
Não se carece do mais dedutivo Sherlock Holmes para se entender o óbvio: “qualidade de vida e boas administrações municipais”. Além de um mínimo de respeito aos seus moradores por parte de quem dirige a cidade.
Ricardo Cravo Albin
P.S: O prestigioso jornal, O Estado, do Mato Grosso do Sul, publicou minha crônica “Antinatalista”na sua página Opinião. Daqui meu reconhecimento tanto à direção do Diário quanto à agente cultural e escritora Delasnieve Daspet, que acaba de assumir a filial do Pen Clube do Brasil no coração do Brasil, o amado Mato Grosso do Sul.

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