Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2024
  • junho
  • Vinicius, o embaixador do Brasil
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

Vinicius, o embaixador do Brasil

Luiz Claudio de Almeida 18 de junho de 2024 6 minutes read
Imagem do WhatsApp de 2024-06-18 à(s) 14.57.39_bc46e2af
Redes Sociais
           

(O texto abaixo sobre Vinicius dedico agora aos 80 anos de seu grande amigo Chico Buarque)

“Ando onde há espaço, meu tempo é quando”
(Vinicius 1931-1980).

Acabo de receber das mãos do embaixador Jeronimo Moscardo o livro que enuncia o titulo acima, já que havia deixado meus dois únicos exemplares na Universidade de Nova York, quando lá havia feito um seminário sobre o letrista Vinicius.
Este livro celebra sua promoção a embaixador da Republica em 2010, uma iniciativa que comoveu o país. E que teve em Moscardo, então presidente da Fundação Alexandre de Gusmão, um dos seus essenciais propulsionadores, ao lado do então chanceler Celso Amorim.

Convidado, elaborei para o livro um extenso texto, cuja primeira parte publico agora:

“Dizer-se que a música popular brasileira é devedora – e muito – da poesia e da presença de Vinicius de Moraes é quase lugar-comum, repetido à exaustão em todos os manuais escolares. Menos usual, contudo, é dizer-se que se deve também à passagem de Vinicius pela MPB a inconveniência do apelido, “Poetinha”, que lhe fora pespegado ao começo dos anos sessenta por duas razões. A primeira, pela maneira renitentemente carinhosa do poeta em usar e abusar do diminutivo “inho”, aplicado a amigos, parceiros e até objetos do seu universo afetivo, como, por exemplo, o uisquinho, ou a cervejinha. E, finalmente, porque alguns amigos seus, jornalistas e cronistas do porte de Sérgio Porto e Antônio Maria, começaram a acarinhá-lo em citações e até crônicas pelo diminutivo, no exato momento em que sua popularidade pessoal subia à estratosfera, alavancada pela consagração mundial da bossa nova, a partir de 1962. Eu sempre considerei a palavra “poetinha” preconceituosa.

De início, ela era um afago apenas admissível aos mais íntimos. Depois, contudo, passou a ganhar a força dramática do próprio diminutivo, servindo, muitas vezes, para uma interpretação caolha e até maligna da obra, da poesia e até da pessoa do grande poeta, um ser humano superlativo. Ou seja, a ideia de “poetinha” passaria a ser suspeita, quase sinônimo, para muitas pessoas, de poeta decadente, de bicão da literatura, de pândego, até de bufão de parolagens ou de festas etílicas em que se celebrassem, noite e dia, a indigência intelectual e as farras mais grosseiras. Ao menos, nessa exata acepção de menosprezo e repugnância, a palavra “poetinha” teria sido dita pelo General Presidente Costa e Silva ao então Ministro das Relações Exteriores, José de Magalhães Pinto, quando o desligou da carreira diplomática. Um caudilho de ocasião cortava-lhe abruptamente a profissão, que ele cumprira com prazer décadas a fio e da qual retirava seu sustento pessoal. Com efeito, tendo em vista o que constava do processo MRE 312.4/ 69, Vinicius foi aposentado em 29 de abril de 1969, pelo Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, como primeiro secretário da Carreira de Diplomata. O ato colocava um ponto final a uma série de insatisfações do poeta com o governo militar, no poder desde 1964. O fato é que nesse período – 1964 a 1969 – o reconhecimento público a Vinicius como compositor e cantor o elevara a uma posição única. Ele não era apenas o grande poeta de antologia, incensado pela crítica e pelos cadernos literários, mas também uma sólida liderança no meio musical do país, que vivia então um momento culminante, galardoado pelos polêmicos festivais da canção.

Essa febre dos festivais começara nos meses iniciais de 1965, quando a televisão Excélsior de São Paulo lançou o primeiro deles, cujo ganhador seria, nada mais, nada menos, que Vinicius. A música intitulava-se “Arrastão” e nela o já consagrado letrista lançou Edu Lobo, um jovem cantor e compositor de quase vinte anos, filho do seu amigo de tertúlias musicais desde o começo dos anos 50, o jornalista e compositor Fernando Lobo. Para surpresa geral, e também para consagração de Vinicius, o segundo lugar do mesmo festival ficou com “Valsa dos anos que não vêm”, interpretada pela cantora Elizeth Cardoso e que era uma parceria sua com Baden Powell, violonista excepcional com quem ele começara a fazer música três anos antes. Vinicius, é verdade, só ganharia o primeiro dos festivais, mas sempre estimulava novos e antigos parceiros a inscrever suas músicas. O último dos grandes festivais, a meu juízo, seria o Internacional da Canção do Rio, transmitido para o Brasil e para o mundo pela já poderosa TV Globo. Ali, travou-se a batalha musical entre “Sabiá” (de Chico Buarque e Tom Jobim) e “Caminhando” (de Geraldo Vandré). Vinicius estava no Maracanãzinho, torcendo discreta mas fervorosamente pelos amigos e parceiros Tom e Chico. Em determinado momento dirigiu-se ao júri, do qual eu fazia parte ao lado de outros amigos dele, como Eneida, Paulo Mendes Campos e Ary Vasconcellos, e me segredou com a doçura e delicadeza habituais: “– Olha, eu tenho certeza de que você vota no “Sabiá” apenas pela qualidade inquestionável da música. O meu medo é que os ânimos políticos estejam exacerbados e que a Eneida ou o Paulinho (Mendes Campos) e até o Ary, ou mesmo o Alceu Bocchino, votem politicamente no Vandré. E aí Tom e Chico se estrepam.” Vinicius concluiu com sabedoria sua fraterna recomendação: “Convença-os de que politicamente nós todos estamos ao lado do Vandré. Mas musicalmente nós temos que estar com Tom e Chico. Até porque isso é um festival de música. E se o público daqui quer a política e não a música, o público vai ficar ainda mais contra a ditadura, se o júri der o prêmio à música e não à política”. Vinicius estava certo. Tudo o que previra foi o que aconteceu. Vandré perdeu, Tom e Chico ganharam, embaixo da mais injusta vaia que registra a história da música popular brasileira. E “Caminhando – Pra dizer que não falei de flores” acabou por se transformar num dos estopins da decretação do AI-5, que fez exilar centenas de brasileiros, inclusive boa parte dos envolvidos no festival. Além de castrar a carreira diplomática do já considerado maior letrista da MPB em seu tempo, o poeta Vinicius de Moraes. ( Continua no próximo texto).

About the Author

Luiz Claudio de Almeida

Administrator

View All Posts

Post navigation

Previous: Litígio Estratégico na Advocacia
Next: Patético Girão

Postagens Relacionadas

WhatsApp Image 2026-06-24 at 18.53.55 (1)
  • Cláudia Chaves
  • Colunistas

Passeio Completo: Baixa Sociedade

Claudia Chaves 25 de junho de 2026
IMG-20260530-WA0075
  • Chico Vartulli
  • Colunistas

Entrevista exclusiva com Ana Borelli

Chico Vartulli 25 de junho de 2026
BODAS-DE-SANGRE-DSC00891_©ClarissaLapollaph (1)
  • Alex Gonçalves Varela
  • Colunistas

Flamenco Com Ritmo e Emoção

Alex Varela Gonçalves 24 de junho de 2026

Recent Posts

  • Passeio Completo: Baixa Sociedade
  • Entrevista exclusiva com Ana Borelli
  • Charge do Dia
  • Parabéns, Dom Orani
  • Charge do Dia

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • WhatsApp Image 2026-06-24 at 18.53.55 (1)
    Passeio Completo: Baixa Sociedade
  • IMG-20260530-WA0075
    Entrevista exclusiva com Ana Borelli
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

WhatsApp Image 2026-06-24 at 18.53.55 (1)
  • Cláudia Chaves
  • Colunistas

Passeio Completo: Baixa Sociedade

Claudia Chaves 25 de junho de 2026
IMG-20260530-WA0075
  • Chico Vartulli
  • Colunistas

Entrevista exclusiva com Ana Borelli

Chico Vartulli 25 de junho de 2026
WhatsApp Image 2026-06-24 at 18.56.25
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 24 de junho de 2026
FB_IMG_1782334416204
  • Arte Moderna

Parabéns, Dom Orani

Luiz Claudio de Almeida 24 de junho de 2026

Recent Posts

  • WhatsApp Image 2026-06-24 at 18.53.55 (1)
    Passeio Completo: Baixa Sociedade25 de junho de 2026
  • IMG-20260530-WA0075
    Entrevista exclusiva com Ana Borelli25 de junho de 2026
  • WhatsApp Image 2026-06-24 at 18.56.25
    Charge do Dia24 de junho de 2026

Tags

Arte beija-flor Blocos de Carnaval Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Centro Cultural Correios Cinema crime Cultura eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira Mostra Natal OAB-RJ Política Portela Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.