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    • Luis PimentelCresceu e teve sua formação básica na cidade de Feira de Santana de onde mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar teatro. Ali, contudo, dedicou-se ao jornalismo e à literatura.[2] Trabalhou em várias publicações e jornais, como O Pasquim (1976-1977), na Mad do Brasil, Última Hora, O Dia e outros.[2] Como escritor, é autor de dezenas de obras, em vários estilos, e dedicadas aos públicos infantil ou adulto, além das biografias de Wilson Batista[3] e Luiz Gonzaga,[4] havendo ganho vários prêmios literários. Foi, ainda, roteirista em programas de humor da televisão, como Escolinha do Professor Raimundo.[2] Seu trabalho também é voltado para a música do Brasil, havendo editado a revista Música Brasileira, que ainda encontra sua versão no meio digital.[2] Coordenou, também, a publicação de Paixão e Ficção – Contos e Causos de Futebol, no qual escreveu um texto, ao lado de figuras como Zico, Armando Nogueira, Aldir Blanc, entre outros.[
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Obrigado!

Ricardo Cravo Albin 26 de dezembro de 2024 6 minutes read
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O título deste primeiro tema da semana é de fato muito inspirador – “O que vem do céu”.

O editor e dirigente supremo da Carioquice, Luiz Cesar Faro, dono da Insight, é dotado de proverbial fidalguia de trato. O que dou prova por jamais ter dele recebido, sequer, um pedido para privilegiar qualquer assunto ou pessoa em meus muitos textos. Alguns até de pura opinião.
Há dias um telefonema do Faro me declarava: – “Nosso Almanaque 2025 será de tirar o fôlego. Sabe por quê? As delícias cariocas que caem diretamente do céu e se plasmam de imediato dentro dos espíritos dos que amam o Rio”.

Feliz, pude segredar com meus botões: “Falar em céu é comigo mesmo, filho de mãe católica e que rezava por toda a família o tempo inteiro”.
Minha inesquecível Zuleica Cravo Albin não fazia de suas orações o que é habitual no mais das vezes: pedidos a não ter fim. Minha mãe era grandiosa até nisso: rezava para agradecer ao Divino, aos céus, à bem-aventurança, pelo que já recebia no dia a dia, pela felicidade de existirmos e estarmos bem e sadios, um dia depois do outro, em um mundo enfermo e cheio de vicissitudes.

Por isso, intitulei esta crônica de Obrigado. Ao Senhor? Também, por certo. Mas especialmente à toda a equipe que inaugurou e fez permanecer por anos a fio a saudadíssima publicação “Carioquice”. Equipe liderada com garra e muita tolerância democrática por Luiz Cesar Faro, agora acrescida do sangue novo de João Pedro Faro, seu filho.

Portanto, e já que me referi aí acima à persistência e à fé – a palavra certa é essa: FÉ – devo declarar caloroso obrigado aos Faro pela edição deste mais um (oitavo!) Almanaque temático no começo de 2025.

Obrigado a toda a equipe dedicadíssima, liderada pela firmeza e bom texto de Mônica Sinelli.

Obrigado pela escolha certeira das lembranças que caem do céu para aclarar e iluminar esses tempos por vezes nebulosos e temerários.

Obrigado à Carioquice por reiterar e abrigar temas tão incrustados nos corações dos cariocas. Ou seja, a Cidade Maravilhosa vista de cima, do alto, do superior. Ou um Rio que corre pelo céu. Esta oitava edição do Almanaque foi imaginada pelo Faro, ao que deduzo, para criar uma certeira magia, a superior, a que vem dos céus, das alturas cariocas, dos patamares quase infinitos.

Obrigado à toda equipe por referências até pouco usuais, mas fascinantes tais como voos de asa delta, parapente e helicóptero, saltar de paraquedas, pedaladas, trilhas e cachoeiras.

Obrigado também pela lembrança de rooftops e lounges, bares e restaurantes, às vezes considerados objetos e seduções do segundo time cultural.

Obrigado por nos acordar para os projetos sociais em comunidades, eventos por vezes modestos, mas onde gente mais humilde pode ser mais, ao menos um pouquinho mais feliz.

Obrigado pela coragem de insistir nessas notícias rejuvenescedoras do espírito carioca que “invadem a alma e nos permitem alguma plenitude”. Inclusive a do pertencimento.

Obrigado pela insistência de lutar contra os recalcitrantes de narizes empinados à alegria possível de pessoas mais modestas, mais simples. Embora majoritárias, como sabemos.

Obrigado gente querida como os Faro, Sinelli e tantos mais, sempre de corações alargados, abertos e sensíveis. Cujos nervos expostos jamais se encolhem. Antes, expandem-se e se ampliam. E podem dar choques, tão vivos e pulsantes estão.

 

2 – Stefan Zweig no Rio

Uma raríssima exposição acaba de ser inaugurada no saguão nobre da Biblioteca Nacional, no Rio. Trazida da Áustria pelo representante em Brasília do país natal de Stefan Zweig, o embaixador Stefan Scholz, a mostra recebeu calorosa recepção do Presidente da FBN, o escritor Marco Lucchesi.

Ao lado dele esteve sempre presente Israel Beloch, Presidente da Casa Stefan Zweig no Brasil.
O nome de Zweig sempre foi falado em minha casa por conta de meu pai, Max Albin, emigrante austríaco cuja família vienense teve alguma proximidade com os Zweig, por que nem tenho certeza, quase certamente algum laço familiar em uma ou duas gerações anteriores de ambas as famílias Max Albin e Stefan Zweig.

Tenho vagas lembranças de minha mãe ter comentado certa vez sobre o famoso escritor austríaco do afeto do meu pai, cujo suicídio em Petrópolis causou grande consternação à nossa família em 1942, quando morávamos na longínqua cidade de Penedo, nas Alagoas.

Esta exposição, a cuja inauguração compareci, é enriquecida com reproduções de peças originais guardadas pela FBN, acrescidas de 24 painéis e das vitrines com documentos e vídeos sobre a obra e a vida do escritor perseguido pelo nazismo e acolhido no Brasil.

Quando veio morar no Rio (em Petrópolis), Zweig já era o autor literário mais publicado no mundo. A exposição exibe luxuosamente Zweig como articulado construtor de redes de editores, tradutores e intelectuais; além de comprovar significativo e vário número de traduções e adaptações de suas obras em palcos e telas mundiais. O autor austríaco de fato foi um cidadão do mundo, dedicando-se a conhecer dezenas de países e povos, cujos personagens foram, por tantas vezes, inspirações de sua obra.

A bela exposição aborda três configurações. A primeira, “Horas estrelares da humanidade”, que se passaram em épocas diferentes”. A segunda aborda “A biografia de Fernão de Magalhães”, em que o autor dá luz à aventura do navegador português. E a terceira “A novela de Amok”, que se passa nas Índias Orientais.

Essa raríssima homenagem ao grande escritor foi inaugurada em Viena pela Biblioteca Nacional da Austria e aqui no Rio é enriquecida pelos envios do acervo da FBN, diligentemente selecionados por Marco Lucchesi. É o próprio diretor Lucchesi quem informa que seu órgão possui mais de 500 documentos sobre Zweig, com cartas, fotos, poemas, textos originais. Esta preciosa coleção leva os nomes dos respectivos doadores, o editor Abraão Koogan e o biógrafo brasileiro Alberto Dines.

A exposição “Stefan Zweig, autor universal” está aberta para o público das 10 às 17 horas, de segunda a sexta. Valerá a pena conhecer um pouco mais a grande figura de Zweig, hoje autor permanente em minha cabeceira de livros a ler quase sempre.

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Ricardo Cravo Albin

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