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Vamos de Sétima Arte? essa semana meu convidado é o cineasta Yves Goulart

Chico Vartulli 12 de dezembro de 2024 13 minutes read
O Maestro Isaac Karabtchevsky com Yves Goulart na gravação do documentário Aldo Baldin - uma vida pela música
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Ivoilson Goulart, conhecido como Yves Goulart, é ator, produtor e cineasta brasileiro. Iniciou sua carreira artística em 1995, como ator nos palcos paranaenses. Aos poucos foi descobrindo e conquistando outras formas de se expressar, como no cinema e na televisão.  Em 2010, recebeu o prêmio Brazilian Press da imprensa brasileira nos Estados Unidos, pelo destaque obtido em suas realizações na área de cinema.  No mesmo ano, foi nomeado ‘Personalidade Lusófona do Ano’ pela Associação CHAMA, da Universidade de Strasbourg, na França. Foi homenageado em 2014 pela Instituição Multiplicando Talentos, que abriu o primeiro CineClube 3D de Urussanga, ganhando o nome de Sala Yves Goulart.
Agora, prepara para a estreia de uma grande documentário. Nossa conversa está imperdível. Confira!

JP –  Quem foi Aldo Baldin e qual a importância da sua atuação para o universo musical?

Vou começar com a frase do Isaac Karabtchevsky que é: ‘falar sobre Aldo Baldin é falar sobre a própria história do canto brasileiro’. Essa frase do Isaac, por si só, já diz muita coisa. Por outro lado, a gente no Brasil não ouviu muito falar de Aldo Baldin, principalmente quem não trabalha com música clássica, porque não temos familiaridade com esse estilo musical. A importância do Aldo no universo musical é gigantesca. Ele gravou em torno de 100 discos de vários compositores diferentes como Rossini, Mozart, Bach, Beethoven, Villa-Lobos. Sua obra está disponível no Spotify, em discos e CDs. E tem gente que estuda a voz do Aldo para estudar o próprio canto.
Então, a importância do Aldo não é só das gravações, mas principalmente do estilo que ele conseguiu desenvolver com a sua própria técnica. E pra quem não sabe, o Aldo foi professor catedrático, então ele formou muitos alunos.JP – Bom, como surgiu o projeto do documentário sobre o Aldo Baldin?
Surgiu em Nova Yorque, quando eu estava fazendo um documentário chamado “Além da Luz”, sobre cegos. Exibi o filme na casa de uma amiga, oficial de chancelaria do Itamaraty, uma grande colecionadora de músicas clássicas. Após mostrar o filme na casa dela, uma exibição privada do primeiro corte, ela chegou para mim e disse: Yves, eu tenho aqui um disco com uma música chamada Pobre Cega, do Heitor Villa-Lobos, que eu acho que combina com o seu filme. Quando ela puxou da prateleira, o disco tinha na capa a Igreja Matriz de Urussanga, cidade onde eu nasci, onde o Aldo também nasceu, e um disco gravado nos anos 80, com selo da Quarup Discos. E eu reconheci imediatamente a igreja onde eu fui ser sacristão, e eu nunca ouvi falar que esse disco existia, muito menos Aldo Baldin. E eu fui vendedor de discos nos anos 90, e esse disco nunca apareceu na loja, esse disco nunca foi falado, nunca foi mencionado.
Então, quando eu descobri que esse disco existia em Nova York – e aí eu li a contracapa do disco onde vi Aldo Baldin, nascido em Urussanga, Santa Catarina, a mesma cidade que eu. Fui procurar a viúva do Aldo, Irene Fleisch Baldin, na Alemanha – ela é nascida em Blumenau, mas se casou com o Aldo e foi embora para a Alemanha – para pedir, então, autorização para o uso da música “Pobre Cega”, de Villa-Lobos.
Ela me autorizou. Quando eu fui exibir o filme “Além da Luz” na França, na divisa com a Alemanha, na Universidade de Strasbourg, a Irene foi assistir com as filhas. No coquetel, depois, após o filme, eu conversei com ela sobre a possibilidade e o meu desejo de fazer o filme. E aí, então, começou essa jornada que durou praticamente 10 anos de produção e quatro anos de finalização, no total, 14 anos de trabalho.
Então, surgiu a partir do momento que eu descobri a capa do disco.

O cinesata Yves Goulart com o Fraque de Aldo Baldin

JP – Quais foram as “fontes” documentais que você utilizou para produzir o documentário?

As fontes foram, exclusivamente as que estavam guardadas na casa da Irene Flesch Baldin, a viúva do Aldo, que guardou esse material durante anos, principalmente uma fita cassete, gravada em primeira pessoa, onde o Aldo mesmo fala sobre a sua trajetória, desde o tempo da roça, até a sua passagem por Porto Alegre, Rio de Janeiro, a ida para Frankfurt estudar canto e toda a trajetória com quem ele trabalhou, por onde ele passou, a Universidade. Essa fita é a espinha dorsal do documentário, gravada em primeira pessoa, com a voz do próprio Aldo Baldin narrando a sua própria história. Ele gravou essa fita com o desejo de fazer um livro, ele já estava se preparando para fazer um livro, ele já estava documentando isso.

JP –  Você é formado na área de cinema, tendo inclusive especialização.   Fazer cinema é uma vocação?

Fazer cinema hoje para mim é uma necessidade de vida. Eu venho do audiovisual, trabalhei anos como repórter cinematográfico nos Estados Unidos fazendo reportagens. Então, eu sou uma pessoa que tem a necessidade de gravar, de filmar, de mostrar uma narrativa, há muito tempo. Fazer cinema hoje pra mim não é só uma vocação, é uma necessidade de vida, uma coisa que está dentro de mim. O desejo está sempre narrando e contando histórias.

JP – Como está estruturado o mercado de trabalho na área de cinema no Brasil?

É uma pergunta muito complexa, porque eu não faço parte do mercado. Eu sou um cineasta independente, eu sou um cineasta com um projeto muito autoral, muito voltado para as coisas regionais e personagens que eu me identifico. Eu não faço filme para o mercado que explora bilheteria e que fica esperando aquele número de pessoas para ser o campeão de vendas. Não, não estou nesse lugar. Isso para mim é frustrante. Isso para mim não é arte. Eu faço arte! Não faço mercado! Se o filme for um sucesso, que as pessoas gostem, ótimo. Se não for, não tenho culpa. Quem está nesse mercado são os Salles, as grandes produtoras, eu sou uma produtora pequena, voltada para um trabalho artístico, de descobertas de talentos, de busca de histórias que ninguém conhece e, inclusive, de busca de uma representatividade no sul do Brasil que não é representado no cinema brasileiro, no eixo Rio e São Paulo, a nossa gente, a nossa fala, o nosso sotaque. O nosso povo é muito pouco representado dentro da história da narrativa fílmica do eixo Rio – SP, onde está a maior fatia do mercado. Sempre são os mesmos filmes, a mesma temática: os burgueses, os ricos, os pobres, as favelas, o conflito de polícia e bandido, sempre a mesma narrativa.
JP – Quais são as dificuldades que um profissional do cinema encontra no Brasil para realizar sua produção cinematográfica?
A gente sempre diz que as dificuldades maiores estão em cima do dinheiro.
Sim. Não basta a ANCINE aprovar o projeto, além de incentivar a cultura, a captação é uma outra carreira em si. Acho que uma das maiores dificuldades é você convencer a empresa a patrocinar, mesmo com a renúncia do imposto de renda, Mas o empresário sempre prefere, muitas vezes, mandar o dinheiro para o governo federal, para os cofres da nação, do que pagar um projeto cultural quando ele não acredita.
Então, você tem que convencer que artisticamente o projeto é viável, que você tá fazendo sobre um personagem da sua região, eu estou falando especificamente de empresas que você possui acesso ao dono, ao pessoal do marketing que é muito regional. Você tem que marcar uma reunião, convencê-los que o personagem que você está fazendo cinema é digno de captação desse dinheiro e o empresário, então, opta em patrocinar o seu projeto. Eu acho uma dificuldade muito grande, porque você sai do lugar da criatividade e, às vezes, é obrigado a, muitas vezes, encarar um trabalho que é de extrema venda. E eu não sou vendedor. Convencer o outro, esses empresários do seu projeto, é uma dificuldade muito grande. Para mim, essa é a maior dificuldade: da captação desse dinheiro.
Por outro lado, eu acho que nós temos um talento que vem da falta do dinheiro, que é usar a nossa criatividade para resolver problemas.
Eu não conheço outros países, talvez no Oriente Médio, seja a mesma coisa, ou países da África também, mas eu sei falar da nossa realidade brasileira.
Com a falta do dinheiro, a gente usa a criatividade para resolver problemas, coisa que a indústria americana não resolve, para toda a produção, porque um probleminha de produção aconteceu, aciona o seguro. Essa indústria americana é uma indústria muito chata e eu acho que ela é castradora da criatividade. Porque tudo é dinheiro, né?
E nós, com a falta de dinheiro, usamos essa criatividade para poder realizar e fazer o nosso melhor naquilo que a gente está produzindo.
Isso eu acho muito bonito, que dá a possibilidade de a gente utilizar do nosso talento, da nossa vocação, da nossa criatividade para resolver problemas da produção.JP – Quais são os cineastas, nacionais e estrangeiros, cujo trabalho cinematográfico  você mais admira?
Sem dúvida nenhuma, no Brasil, o trabalho de Walter Carvalho.
A fotografia do Walter Carvalho é algo primoroso, que me inspira muito!
Eu me tornei amigo dele por admirá-lo. Ele é uma pessoa muito generosa, de muita escuta, e de muita sensibilidade para te aconselhar na trajetória de criatividade.
Então, hoje, a minha grande admiração é pelo trabalho do cineasta e fotógrafo Walter Carvalho. Eu gosto muito do trabalho do Fellini, dessa narrativa dele usar pessoas não atores para o seu trabalho. Claro que a gente teve ali Julieta Mazini, Marcelo Mastroiani, mas o Fellini trabalhou com muitas pessoas não sendo atores. E como sou de uma cidade de colonização italiana, essa comédia, esse deboche, esse exagero da própria latinidade que existe, na fala, na pronúncia, no exagero, os filmes do Fellini me deram muita inspiração. Por outro lado, cinematograficamente falando, os filmes do Almodóvar, também são muito encantadores.
Eu também não posso esquecer de dizer que eu gosto muito do trabalho do Andrei Tarkov, principalmente o filme “O Espelho”, gravado em 1975. “A Noite Americana”, do François Struffaut, de 1973. A obra do Giuseppe Tornatore, o “Cinema Paradiso”. Agora, um dos filmes que eu acho muito fofo como documentário é um filme do Walter Carvalho: “Um Filme de Cinema”. É um filme tão íntimo sobre a linguagem cinematográfica, principalmente, porque tem o Ruy Guerra, que foi meu professor na Faculdade de Cinema no Rio de Janeiro, que está nesse filme, e eles falam sobre a linguagem do cinema e como atingir a verdade. E esse lugar que o Walter usou como começo do filme, que é um cinema abandonado no interior da Paraíba, que dá toda uma simbologia do abandono da instituição do cinema. Não da instituição do cinema, mas como prédio, do prédio físico, que teve essa transformação no Brasil. Então é um documentário muito lindo.JP – Todos nós temos um filme preferido, que marcou as nossas vidas. Qual é o seu?
Sem dúvida nenhuma, é o filme de 1988, o “Cine Paradiso”, do Giuseppe Tornatore.
Porque é um filme que eu me identifico até como aquele menino mesmo, assim.
Eu sempre gostei da sala de projeção, eu sempre gostei da película.
Fui criado numa cidade de colonização italiana.
O ato de projetar o filme na tela da parede de um prédio, eu sempre vivenciei isso com muita poesia e hoje tenho uma certa nostalgia com a própria narrativa do filme, do menino que passa a ser o amigo do projecionista e depois se transforma em cineasta. Então, é um filme de uma poesia muito profunda, que me toca demais!. Agora, “A Noite Americana”, do François Truffaut, também é maravilhoso, porque fala sobre os bastidores da gravação de um filme. Tem humor, tem drama, tem ensinamento, tem linguagem. Então, se fosse escolher dois, seria “A Noite Americana”, do Truffaut, e “Cine Paradiso”, do Giuseppe Tornatore.JP – Como você analisa o papel da ANCINE para o incremento da produção cinematográfica nacional?
Eu não tenho nem vontade de responder a essa pergunta, porque eu já tive muitos problemas com a ANCINE, devido a um grande número de burocracia que ela trouxe no último governo do Bolsonaro. Foi, assim, um entrave.
Por outro lado, como a nossa produção é uma produção que não paga, o dinheiro da bilheteria não paga as produções em si, ela ainda é um órgão regulamentador que regulariza o nosso fazer cinema. Felizmente, nós temos que ter e infelizmente nós temos que ter, depende do ponto de vista. Porque por um lado que regulariza, também por outro lado deixa muito burocrático. O ideal seria que o nosso público brasileiro pagasse e frequentasse a sala de cinema e conseguisse pagar todas as produções que lá são exibidas, como é no mercado europeu e no mercado americano, né?
Mas competir com esses grandes estúdios dos Estados Unidos não é fácil, porque as salas de cinema hoje são praticamente da indústria americana. Então, o dono da sala de cinema, tem que vender a pipoca, e para vender a pipoca ou refrigerante, tem que estar em um filme da moda. E quem tem mais dinheiro com marketing é a indústria americana, né? Então, o filme nacional fica em cartaz de segunda à quarta, fim de semana da indústria americana. A ANCINE tenta regularizar isso para que a gente possa ter mais espaço na exibição. E isso é interessante como um órgão regulamentador.JP – Quais são os seus projetos futuros?
Hoje, eu estou em Campinas, exibi o filme do Aldo Baldin no Museu da Imagem e do Som. E aqui estou na casa de um amigo chamado Jerssi Maccari que nasceu também em Urussanga, SC, que é um pintor e eu estou contando a história desse pintor e seus movimentos da cor. A gente tem até um nome do filme que é Jerci Maccari e a Trajetória da Cor. Eu usei a palavra movimento de propósito, porque é um movimento que traz o homem do campo para as telas dele. Como ele é um homem que quando menino foi do campo, da roça, ele retrata nas suas obras todo esse personagem, essa vida rural, tão pouco explorada na pintura. Talvez, hoje, ele seja um dos únicos. E eu estou contando nesse filme dele a trajetória das cores. É o meu próximo projeto para o futuro.

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Chico Vartulli

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