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Para ler na rede: Uma temporada de frente para o crime

Olga de Mello 31 de janeiro de 2025 4 minutes read
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Redes Sociais
           

O ano brasileiro começa bem depois de seu início oficial, em janeiro. Fica no pós-Carnaval, data flutuante que, em 2025, será no meio de março. E em pleno domingo de folia, haverá a entrega do Oscar, ao qual concorre Fernanda Torres, cuja premiação com o Globo de Ouro fez o livro “Ainda estou aqui” (Companhia das Letras, R$ 58,80), de Marcelo Rubens Paiva, lançado em 2015, retornar às listas de mais vendidos. A trajetória de Eunice Paiva como chefe da família depois do assassinato de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, nos anos 1970, já levou mais de um milhão de pessoas aos cinemas.  

 

 

 

 

 

 

 

 

Embora seja difícil uma vitória de Fernanda no Oscar, o ano vai começar em pós-festa de qualquer maneira. Para estender mais ainda a temporada de férias, além da leitura da saga da família Paiva, nada como cair em um dos gêneros ficcionais mais desprezados por teóricos de literatura: os thrillers, aquelas histórias de mistério e suspense, popularmente conhecidos no Brasil como “policiais”. O desdém em relação ao policial pode ser consequências de sua imensa popularidade, que tornou a inglesa Agatha Christie a pessoa que mais livros vendeu até hoje – algo em torno de 4 bilhões de exemplares de sua obra, traduzida no mundo inteiro. Além de crimes muito bem elaborados, Dame Agatha criou uma idílica e simpática Inglaterra rural, mais lúdica do que sombriamente realista, segundo estudiosos, e importantíssima para divulgar a cultura inglesa no século XX. Apesar das críticas ao escapismo romântico de suas tramas, ninguém, nem J.K. Rowling, com 650 milhões de livros vendidos, nem Paulo Coelho (350 milhões de cópias), bate o recorde de Agatha como autor mais lido no mundo. 

 

 

 

Exceção nos thrillers são os autores da Era de Ouro – os norte-americanos Dashiell Hammet, Raymond Chandler, James M. Cain e Patricia Highsmith, entre outros -, criadores dos detetives particulares durões em histórias sem o glamour britânico, ambientada em cenários soturnos. Exceção dentro dessa elite, Patricia Highsmith foi viver na França, onde trouxe à vida seu personagem mais famoso, o escroque Tom Ripley, vivido no cinema por Alain Delon, Dennis Hopper, Matt Damon e John Malcovich. A adaptação mais recente foi uma minissérie estrelada por Andrew Scott. As histórias de Highsmith são repletas de gente atormentada pela culpa ou em busca de vingança – o que não abala Ripley, um sociopata pautado pela amoralidade e usurpação dos bens alheios. Em março, a Intrínseca lança três novas edições de livros protagonizados por Ripley: “O talentoso Ripley”, “O jogo de Ripley” e “Ripley subterrâneo”, cada um por R$ 59,90.

 

 

 

 

 

 

 

Outra americana, Tana French, é uma herdeira digna de Patricia Highsmith. Radicou-se na Irlanda nos anos 1990, e é lá que são ambientados seus romances, que sempre abordam passados traumáticos e sombrios. A árvore de ossos (Darkside, R$ 89,90) traz uma família amorosa, em que convivem várias gerações, acompanhando os últimos dias de vida de um genealogista. É durante uma reunião dos irmãos, seus filhos e netos que uma das crianças descobre ossos humanos no oco de uma árvore do jardim. Um dos sobrinhos do genealogista está hospedado em sua casa para ajudá-lo com cuidados paliativos. Os primos que passavam todo o verão na casa do tio se juntam para desvendar o mistério do esqueleto completo encontrado na árvore – identificado como o de um ex-colega de escola do grupo. A simplicidade fica apenas na sinopse. Tana French monta um quebra-cabeças com muitos detalhes, que prendem o leitor em cada uma das suas mais de 500 páginas. 

 

 

Esta semana, perdemos Marina Colasanti, que deixou 70 livros, entre infantis, juvenis e para adultos. Do último segmento há duas preciosidades: suas memórias da infância na África e Europa e a chegada ao Brasil em “Minha guerra particular” (Record, R$  39,90), e “Vozes de batalha” (Tusquets, RS 56,90), sobre sua proximidade com tia Gabriella Besançon Lage, que abrigou Marina, o irmão e os pais, no seu palacete no Jardim Botânico, o atual Parque Lage. Incentivadora da literatura e dos escritores, Marina foi a italiana mais carioca do Brasil.  

 

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