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Conversei com Julinho, mestre-sala da Viradouro, que falou da expectativa para o desfile

Chico Vartulli 27 de fevereiro de 2025 6 minutes read
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Na semana  da maior festa popular do mundo, conversei com Júlio Cesar da Conceição Nascimento, o mestre-sala  Julinho,  o poderoso e talentoso da Unidos do Viradouro.  A vermelho e branco de Niterói, terceira escola a desfilar no domingo de Carnaval, vai levar para avenida o enredo  “Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos”. O samba-enredo   composto por Paulo César Feital, Inácio Rios, Márcio André Filho, Vitor Lajas, Chanel, Vaguinho e Igor Federal, foi eleito o melhor de 2025 por especialista.  Malunguinho foi um herói do século XIX e líder do Quilombo do Catucá, no Norte de Pernambuco e o  enredo mescla as culturas afro e indígena.

O mestre-sala possui a função de cortejar a porta-bandeira, além de mostrar e proteger, com orgulho, a bandeira de sua escola de samba. Por sua vez, a porta-bandeira tem a função de carregar e exibir a bandeira da escola, conduzindo-a com gestos leves, graciosos e de reverência. E em nossa conversa Julinho faz um balanço dos 35 anos de avenida, de como tudo começou e,  claro, da expectativa para o desfile.

JP –  Olá Julinho! No carnaval de 2025 você completa 35 anos de avenida como primeiro mestre-sala. Qual é o balanço que você faz da sua trajetória na referida função?

O balanço é mais que positivo… Comecei muito jovem, aos 16 anos, no ano de 1990, com a imensa responsabilidade de defender o símbolo maior de uma agremiação, no caso o o GRES Tradição, e logo com Vilma Nascimento. Não poderia ser uma estreia melhor, a realização de um sonho de criança. De lá pra cá, uma vida de ensinamentos e aprendizados, vitórias e derrotas, mas graças a Deus, bastante promissora a caminhada no Samba/Carnaval.

JP –  Quando você começou a se interessar por dançar como mestre-sala e como foi a sua formação?

Meu pai, Eusébio Nascimento, o Velha da Portela, minha maior referência de vida e de samba, me ensinou a dançar/sambar o “miudinho” do partido alto e tudo que aprendi sobre respeito e caráter juntamente com a criação da minha mãe Edelzuita Nascimento (D. Delza), mas minha paixão era a dança do Mestre Sala. e Porta Bandeira, e dançar com minha madrinha Vilma Nascimento. Comecei a dançar na Escola Mirim Corações Unidos do CIEP da Passarela do Samba em 1985, sob a orientação de Mestre Machine, hoje o “Síndico da Passarela”.

JP –  Qual foi a importância de Vilma Nascimento para a sua trajetória?

Desde pequeno ficava fascinado com a história/carreira da minha madrinha Vilma Nascimento e sonhava em um dia me tornar Mestre-sala e dançar com ela, mesmo ela já tendo parado de dançar. Para minha alegria, ela voltou a dançar e dois anos depois de seu retorno, eu já segundo mestre-sala, realizo meu sonho tão jovem, me tornando 1° mestre-sala do GRES Tradição ao lado de Vilma Nascimento no carnaval de 1990. Ela me orientou de verdade nos primeiros anos com a responsabilidade de dar/defender nota no quesito. Muitos ensinamentos…

JP –  Você nasceu no seio de uma família de sambistas. Poderia comentar sobre a sua família?

Meu pai Eusébio Nascimento, o Velha da Portela, foi um grande sambista partideiro, e compositor. Foi eleito “Cidadão Samba”, título maior dado a um sambista (completo) por saber desempenhar com tamanha eficiência o canto, a dança, o ritmo e fala (dicção) dentro do universo do samba. Como compositor gravou/compôs partido alto (Partido em 5) e sambas enredos no GRES Portela (1974) e no GRES Imperatriz Leopoldinense (1984). Minha mãe, Edelzuita Nascimento (D. Delza) desfilou na primeira Comissão de Frente formada somente por mulheres no carnaval, no GRES Imperatriz Leopoldinense (1971). Minha madrinha Vilma Nascimento, conhecida como o Cisne da Passarela, ícone do carnaval até hoje com toda sua contribuição para arte do bailado do casal de Mestre-Sala e Porta- Bandeira, bem como muito me ensinou  nos três anos que desfilei ao seu lado. Sou eternamente grato à minha Família.

JP –  Quais foram as agremiações pelas quais você dançou como primeiro mestre-sala?

Nos carnavais: de 1990 a 2005, GRES Tradição; de 2006 e 2007, GRES Unidos do Viradouro; de 2008 a 2013, GRES Unidos de Vila Isabel; de 2014 a 2017, GRES Unidos da Tijuca; de 2018 até os dias atuais, GRES Unidos do Viradouro.

JP –   Como você caracteriza o bailar do mestre-sala?

Caracterizo como um dançarino, um lorde, que com toda Maestria e Musicalidade nos passos, transmite nobreza e “malandragem” ao cumprir sua missão de honrar e defender, com seu bailado único, o seu Pavilhão, através do cortejo, conquista e proteção à sua Dama, sua Porta-bandeira.

JP –   Quais são as suas expectativas para o desfile da Unidos do Viradouro no carnaval  2025?

Minhas expectativas em relação à Unidos do Viradouro para o Carnaval 2025 são as melhores possíveis, pois a escola tem um belíssimo enredo e um maravilhoso samba, além de um conjunto magnífico de alegorias e de fantasias. Uma comunidade muito comprometida com a escola e com o desfile, além de quesitos que competem bem dentro do que o projeto de desfile da agremiação pede. No mais, é a magia que ocorre após a “curva/joelho” da Sapucaí, o qual somente Deus sabe do que será. Que sejamos merecedores de mais um desfile memorável e consequentemente campeão, com respeito a todas as demais agremiações.

JP –  Quais são os seus projetos futuros?

Peço a Deus que continue me oferecendo saúde física e mental para continuar nessa missão, ao meu ver, divina na arte do bailado, cumprindo com competência o meu papel como mestre-sala ao lado da minha Dama e porta-bandeira Rute Alves, além de continuar realizando meus projetos enquanto educador físico e principalmente cuidando de minha amada família.

Alô, Viradouro!

“Um, dois, três, a hora é essa!”

“Eu tenho corpo fechado, fechado tenho meu corpo
Porque nunca ando só, porque nunca ando só
A chave do cativeiro, virado no Exu Trunqueiro”

Ouça o samba na voz de Wander Pires.

 

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