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  • O diretor chileno Francisco Sánchez, o “Pancho” conversou com exclusividade com a coluna
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O diretor chileno Francisco Sánchez, o “Pancho” conversou com exclusividade com a coluna

Chico Vartulli 26 de junho de 2025 5 minutes read
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O meu convidado dessa semana é o ator e diretor chileno Francisco Sánchez, o “Pancho“, fundador e diretor da Compañia Tryo Teatro Banda.
Pancho  conheceu o Brasil em 1996, entrando pela Amazônia. O primeiro estado que pisou foi o Acre. Seu primeiro contato com o Brasil foi com a floresta e sua espiritualidade profunda. Um Brasil muito mais indígena, muito mais pobre, mas rico também. Uma região que poucos brasileiros conhecem, carregada de dramaticidade, guerras e mortes. Dramaticidade que se assemelha a história da formação de outros países da América Latina e se relaciona com as escolhas dramatúrgicas da chilena Tryo Teatro Banda.  Em nosso  bate-papo, Pancho fala sobre seu interesse por fatos e personagens de nossa história, do projeto de residência artística do Tryo Teatro Banda no CCBB-RIO e muito mais. Confira!
JP –  Olá, Sánchez! Brasil e Chile são países que não fazem fronteira. De que forma, no teatro, os dois países sul-americanos podem se unir?

O teatro nos oferece a oportunidade de compartilhar nossas línguas, nossa cultura e nossa história, e esse conhecimento mútuo gera afeto e interesse pelo país vizinho.

JP – Como surgiu o projeto de residência artística do Tryo Teatro Banda no CCBB-RIO?

Surgiu por iniciativa de Júlio Adrião e seu irmão, com quem nos unimos pela amizade e colaboração desde que nos conhecemos no Festival Latino-Americano de Teatro de Londres, em 2012. Em 2022, Júlio fez uma residência em nossa sede no Chile, onde criamos o espetáculo FICO, que faz parte desta temporada.

JP –  Por que você se interessa pelos fatos e personagens da história latino-americana?

Porque nós, latino-americanos, desconhecemos nossa história, que é fascinante, e conhecer os fatos e os personagens nos ajuda a entender quem somos, e isso nos torna mais fortes e livres.

JP –  Como a companhia em seus espetáculos entrelaça teatro, música e narrativa?

É uma arte muito refinada. Primeiro, estudamos temas históricos em profundidade, onde a dramaturgia desempenha um papel fundamental na ordenação dos eventos. Depois, a improvisação nos permite mergulhar nas possibilidades cênicas de cada evento histórico e seus personagens. Os instrumentos musicais estão nas mãos dos próprios atores, de modo que a composição musical é gerada paralelamente à criação física da peça. A ideia da partitura permeia toda a peça teatral.

JP –  Como surgiu seu interesse pelo Imperador Dom Pedro I, em particular pelo Dia do Fico?

Quando eu tinha 20 anos, li um livro chamado Memórias do Passado, no qual o chileno Vicente Pérez Rosales relata sua experiência como testemunha do Dia do Fico no Rio de Janeiro em 1822. Ele esteve aqui! Lá, aprendi que, diferentemente do Rei da Espanha, que foi preso por Napoleão, o Rei de Portugal fugiu para o Brasil e estabeleceu sua corte aqui. Essa história sempre me impactou muito e me ajudou a entender o Brasil e suas diferenças com os países hispânicos. Quando se comemorou o bicentenário do Dia do Fico, em 1822, o Tryo Teatro Banda já encenava peças históricas há muitos anos, então surgiu a ideia dessa coprodução com Júlio Adrião.

JP –  A principal característica estética das performances do Tryo Teatro Banda é o “menestrel” do ator, que em português poderia ser traduzido como menestrel ou trovador. Você poderia comentar sobre essa característica?

Observe o que aparece no Google Imagens quando você digita “menestrel”. É um artista viajante que conta histórias acompanhado de seus instrumentos musicais. Isso simplesmente implica que ele é um ator que atua (tocando e cantando) além de atuar. Ele também pode fazer pantomima, fantoches, marionetes de sombra, malabarismo, mágica, etc., tudo o que pode ajudar a enriquecer sua comunicação em vários palcos expressivos. Ele é um meio de comunicação itinerante, então conta o que aconteceu aqui e ali, emite opiniões críticas e se apresenta em todos os lugares: palácios, mercados, teatros, etc.

JP –  Qual é a visão que você apresenta do espanhol Pedro de Valdivia?

Pedro de Valdivia é um conquistador bem-sucedido no contexto da conquista violenta da América pelos espanhóis, mas está em dívida com o mundo inteiro, e isso o obriga a conquistar cada vez mais, até que, em seu desespero, subestima a capacidade defensiva do povo indígena mapuche chileno e morre em batalha. Nenhum teatro funciona culpando e apontando o dedo para os outros; há um Pedro de Valdivia em todos, inclusive em mim. A verdade é que, no caso dele, o mapuche triunfou. É uma comédia, uma sátira, com momentos dramáticos em cada conquista.

JP –  Quais são seus projetos futuros?

Vamos reviver obras emblemáticas da companhia, como La Araucana e Tragicomedia del Ande. Estamos comemorando nosso 25º aniversário e, como comemoração, realizaremos um Festival de Menestréis com obras próprias e convidadas. Estaremos presentes no Festival Hispânico de Miami com Magallanes e no Festival de Teatro Contemporâneo de Almagro com Pedro de Valdivia. Também contribuímos para a comemoração do 80º aniversário do Prêmio Nobel de Gabriela Mistral, cantando suas histórias musicadas com uma orquestra e um quarteto de cordas.

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