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O Lucrativo Comércio das Especiarias, O Estreito é de Magalhães, e A Terra é Redonda

Alex Varela Gonçalves 2 de julho de 2025 4 minutes read
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Estreou Magalhães no  âmbito da mostra teatral “Três histórias que mudaram a história”, residência artística da Companhia Tryo Teatro Banda, no teatro do CCBB RIO 3.

 

A coordenação geral e a curadoria é de Julio Adrião.

 

O texto de Francisco Sánchez e Tryo Teatro Banda é histórico, musical, poético, crítico, e denuncia a empresa colonizadora.

 

Magalhães foi o protagonista da primeira viagem de circum-navegação do globo.

 

O texto narra a viagem de descobrimento patrocinada pelos reis da Espanha e comandada pelo português Fernão de Magalhães e pelo espanhol Juan Sebastián Elcano. O conjunto de cinco esquadras objetivava descobrir uma passagem marítima para o Mar do Sul (Oceano Pacífico) circundando o Novo Mundo e assim alcançar as Ilhas Molucas. 

 

Os navegadores encontraram a entrada do estreito em frente da Costa da Terra do Fogo, e visualizaram que o mesmo dava acesso a mar aberto.  A passagem ficou conhecida como Estreito de Magalhães.

 

Localizado o Estreito, Molucas era o mote a ser alcançado.  Era famosa pelas cobiçadas especiarias (pimenta, cravo da índia, damasco, canela, noz moscada, entre outros), objeto de intenso comércio. Magalhaes o considerava “um negócio redondo, lucrativo e fecundo”. E o navegador almejava glória e riquezas.

 

A viagem foi uma empresa conturbada. Tiveram que enfrentar  doenças, mortes, fome, sede, e a resistência dos naturais da região. A morte e o desespero se tornaram incômodas companheiras de viagem.

 

Fernão de Magalhães e seus homens chegaram à região das Molucas, onde foram recebidos pelo chefe local e estabeleceram boas relações, trocando especiarias e mercadorias. Contudo, logo a arrogância e o espírito de Magalhães prevaleceu e ele tentou submeter à força os elementos locais. Numa das suas investidas, uma flecha envenenada atravessou a perna do almirante e ele morreu como resultado da sua ganancia, ambição e prepotência.

 

Mesmo com a morte do protagonista, os navegadores não desistiram e tornaram realidade a primeira viagem de circum-navegação do globo. Se concretizou a abertura do contato com a Ásia contornando a América, que foi um dos marcos para a concretização da primeira experiência marítima em escala global, e a constatação de que a Terra era redonda. 

 

A dramaturgia deixa transparecer que a primeira viagem ao redor do mundo, 1519-1522, associava interesses mercantis, políticos e estratégicos dos impérios europeus que se envolveram nas disputas ultramarinas pelo controle das rotas e feitorias e pela dominação.

 

O elenco é constituído por quatro atores (Alfredo Becerra, Diego Chamorro, Javier Bolívar, Martin Feuerhake) e uma atriz (Daniella Rivera). Eles simplesmente dão uma verdadeira aula de teatro. Eles interpretam com uma técnica perfeita e de qualidade, e deixam transparecer o personagem. Interpretação e emoção caminham passo a passo em suas respectivas atuações. Eles são divertidos, engraçados, e irônicos. Eles cantam, dançam e tocam os instrumentos musicais que, na maior parte do tempo, eles carregam consigo próprio. Eles atuam como menestréis e, ao som de suas vozes e corpos, eles narram esse capítulo da epopeia dos descobrimentos marítimos. Eles dominam o texto, transmitindo por meio da musicalidade, como os poetas e cantores, possibilitando uma recepção e assimilação mais fácil da dramaturgia. E dominam também o palco, se movimentando intensamente, ocupando todos os espaços, e inclusive se lançando ao chão, como na cena para pegar os ratos. Portanto, uma atuação digna de louvor e elogios. Uma aula de história num palco de teatro!

 

A direção é de Francisco Sánchez que focou no texto, e deixou os atores a vontade para realizarem suas livres interpretações. 

 

Os figurinos criados por Pablo de la Fuente são simples, adequados, e facilitam a movimentação dos atores pelo palco, que é intensa.

 

A cenografia é nula.

 

A iluminação criada por Matías Ulibarry apresenta um bonito desenho de luz, tons variados, e contribui para realçar a interpretação dos atores de seus personagens.

 

As músicas criadas por Daniella Rivera, Diego Chamorro, Martin Feuerhake e Francisco Sánchez apresentam letras com um conteúdo que auxilia na compreensão da dramaturgia, melodias poéticas, e ritmos dinâmicos.

 

Magalhaes é uma peça teatral cuja dramaturgia é poética, musical e crítica; um elenco com uma atuação digna de aplausos, associando interpretação e emoção; e um conjunto de músicas de qualidades que constituem a espinha dorsal da dramaturgia.

 

Excelente produção cênica!

 

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Alex Varela Gonçalves

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