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Meu convidado de hoje foi indicado ao Prêmio Grande Otelo pelo filme “Malu”. Confira!

Chico Vartulli 21 de agosto de 2025 5 minutes read
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Essa semana fui conversar com o ator Átila Bee. Natural de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, o ator acaba de conquistar um marco histórico: tornou-se o primeiro artista negro e periférico da região a ser indicado ao Prêmio Grande Otelo, uma das mais prestigiadas honrarias do cinema nacional. Com 27 anos de carreira, ele concorre na categoria de Melhor Ator por sua interpretação no longa “Malu”, dirigido por Pedro Freire.

O filme, vencedor do Festival do Rio 2024 e exibido no Festival de Sundance, traz Átila no papel de Tibira, um artista múltiplo cujo nome carrega um forte simbolismo histórico. “Tibira foi um indígena do Maranhão, executado pelos colonizadores em 1614, considerado a primeira vítima de homofobia registrada no Brasil. Flávio da Silva, personagem da trama, adota esse nome como ato político — um nome de resistência, de luta”, explica o ator.

Em nosso bate-papo falamos de Teatro, da experiência como Joãozinho da Gomeia, no Cinema e muito mais. Confira que tá imperdível!

JP –  Olá Átila! Você foi indicado, pela Academia Brasileira de Cinema, ao Prêmio Grande Otelo 2025 como melhor ator coadjuvante, pela sua interpretação da personagem Tibira, no longa-metragem Malu. Qual é a importância dessa indicação para a sua carreira de ator?

Já é um prêmio. Porque traz um novo olhar e abre caminhos, novas oportunidades, não só pra mim, mas para outros artistas pretos da Baixada Fluminense. Acredito muito nisso. Talento não falta. Falta visibilidade, oportunidades pra gente acessar esses lugares.

JP – Como foi interpretar o personagem Tibira no longa-metragem Malu?

Foi muito prazeroso. Tibira é uma figura muito a frente,  um jovem artista muito evoluído, maduro em diversos campos. É muito  bonito como esse personagem lida com as diferenças, mesmo ciente de que, por conta dessas diferenças, ele está sempre sob ameaça.

JP – Você é um ator preto. Como você através do teatro e do cinema busca valorizar as africanidades e os legados da ancestralidade?

No caminho eu fui entendendo que tipo de teatro eu queria fazer. Passei por diversos grupos e cias, experimentei muito. Nunca deixei de estudar. Até que a consciência racial, o letramento, as vivências vão te apontando o caminho. Tenho 27 anos de trajetória. Mas tem 11 anos que a chave virou e eu entendi que o meu teatro tinha que ser Afro Ritualizado, Macumbeiro e aprofundado nas nossas histórias mal contadas ou não contadas. E em novas narrativas também. Temos é coisa pra falar.

JP – Teatro é resistência? Justifique.

Teatro é existência. Tendo um corpo, uma história, um chão e uma plateia, temos teatro! Nunca deixará de existir enquanto tiver gente disponível pra esse encontro. O teatro é essencial pra gente, artistas e plateia. Ali, juntos, a gente se assumi e se posiciona num mundo, que muitas vezes não conseguimos encarar de frente, no dia a dia. Esse espelhamento é importante pra nossa evolução.

JP – Você poderia comentar sobre a sua experiencia no cinema interpretando Joãozinho da Gomeia – O Rei do Candomblé?

A minha história com Joãozinho começa através do teatro. Foi um chamado presente que eu abracei com muito amor. A partir desse momento, outras produções foram saindo da gaveta, como o filme da Janaína ReFem e do Rodrigo Dutra. Esse filme rodou festivais pelo mundo, me deu indicação como melhor ator de curta no Festival de Cinema de Gramado. Se tornou um documento importante. Traz muita luz a história do Rei do Candomblé. Foi difícil fazer. Tive contato com vestimentas dele, que são mantidas pelo Instituto Histórico de Duque de Caxias. Foi bem emocionante. Assim como foi complexo filmar na feira de Caxias, vestido da vedete que Seu João brincava carnaval, de salto e maquiado, em um ambiente ainda muito machista. Mas a produção foi muito cuidadosa e afetuosa pra que eu me sentisse seguro.

JP – Você nasceu na Baixada Fluminense, em São João de Meriti.  Quais são os legados deixados pela Baixada Fluminense em sua trajetória de vida?

A Cia mais antiga da Baixada Fluminense, a Cia de Arte Popular de Duque de Caxias, tem quase 30 anos. Ali temos grandes artistas como o Cesário, Eve, Nancy e Gaspari. Uma gente que jamais desistiu e segue fazendo pela cultura baixadense. Por isso que estou aqui, construindo também a minha trajetória. Eu desejo inspirar os meus também.

JP – Você já interpretou personagens negros de relevância histórica. Tem algum outro que você pretende interpretar? Caso sim, justifique.

Tenho um projeto para o cinema sobre um outro João. Vai ser minha estreia na direção.

JP – Quais são os seus projetos futuros?

Vai ser lançado o filme “Exu nas escolas”, uma produção totalmente realizada em uma escola histórica que está desativada, em Nova Iguaçu. Eu, Elisa Lucinda e Ana Lú Nepomuceno protagonizamos o filme, que tem direção do Marçal Vianna. E tem projetos musicais vindo aí.

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Chico Vartulli

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