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Regulação Tardia, Prejuízo Certo

Luiz Claudio de Almeida 2 de janeiro de 2026 3 minutes read
20250131190152_31830d0fed06e93ef5ba9a32d886b44e3986a9940969196d53c5b416ac68cf23
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Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo de cinema – Colunista convidado.
A intervenção no Banco Master não foi um gesto de prudência.
Foi um ato tardio de contenção de danos.
Há mais de um ano o mercado sabia que as taxas oferecidas pelo banco estavam muito acima do razoável.
   Não era ousadia comercial.    Era sinal clássico de desequilíbrio.   Quando um banco precisa pagar mais do que todos os outros, algo está errado — e o regulador sabe disso.
O Banco Central sabia.
E, demorou.
Essa demora não foi neutra.
    Ao postergar a decisão, a autoridade monetária abriu espaço para todo tipo de lobby: Político, institucional e financeiro.
    Criou-se o ambiente perfeito para uma solução “milagrosa”, costurada em Brasília, envolvendo um banco estadual — espécie em extinção — como se ainda estivéssemos nos anos 1980.
Enquanto isso, o sistema financeiro fez o que sabe fazer quando percebe fraqueza regulatória: Aproveitou-se.           Espremendo, até o fim, um banco já moribundo, transformou a agonia em oportunidade.
   Não houve solidariedade sistêmica, houve oportunismo. Abutres sobre uma carniça que já exalava mau cheiro.
O debate público, no entanto, seguiu o roteiro mais conveniente: Uma disputa rasa, ideológica, transformando um caso técnico grave em Fla-Flu de ocasião.
     Uma imprensa dócil — à esquerda e à direita — preferiu discutir versões, não responsabilidades.
O ponto central foi ignorado:O volume expressivo de recursos de fundos de pensão direcionados ao Master.
   Dinheiro de aposentados, cuja função é preservação, não aposta.
    Esses recursos deveriam estar blindados contra aventuras em busca de rentabilidade fora da curva.
O mercado, cúmplice, fechou os olhos.
Distribuiu esses papéis a investidores sedentos por alguns pontos percentuais a mais, num país em que 15% ao ano já não satisfaz.
   A distorção virou regra. O  risco, nota de rodapé.
Volto à pergunta essencial.
Que independência é essa do Banco Central que permite a festa, ignora os excessos, observa os alertas e, só decide agir, quando a música já acabou e os convidados estão em coma alcoólico?
Não foi surpresa.
Não foi acidente.
Foi omissão prolongada, tolerância regulatória e conveniência institucional.
E, como sempre, a conta não ficará com quem organizou a festa.
    Feliz 2026 para todos os leitores e leitoras.

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