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Bate-papo exclusivo com a produtora Rose Oliveira

Chico Vartulli 19 de março de 2026 6 minutes read
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Essa semana vamos falar um pouco com quem faz acontecer. Estamos sempre acostumados a assistir aos espetáculos sem pensar em como aquilo tudo foi construído, como se produziu tudo aquilo, a quantas mãos aquele espetáculo foi gerado. E ninguém melhor para conversarmos do que  Rose Oliveira. CEO da Companhia de Cultura Ginga Tropical, produz o maior espetáculo representativo da cultura brasileira, há doze anos em cartaz no Rio de Janeiro e já assistido por milhares de pessoas de todo o mundo. Rose Oliveira foi durante 20 anos comissária da Varig e, durante suas viagens nacionais e internacionais, teve contato com diferentes shows e apresentações teatrais com foco nas culturas locais. Essa experiência deu-lhe a mão cheia para montar o espetáculo “Ginga Tropical” que é hoje a terceira atração mais procurada pelos turistas no Rio de Janeiro, ficando atrás apenas dos icônicos “Cristo Redentor” e “Pão de Açúcar”.  Confira!

JP –  Olá Rose! Qual é o balanço que você faz da sua trajetória como produtora cultural e empresária?

Ampliei minha atuação buscando um nicho no mercado na época e fui estruturando processos, formando equipes e consolidando uma marca reconhecida no setor de entretenimento. Na produção cultural, sempre estive ligada à criação de experiências organizadas, com atenção à viabilidade financeira e ao impacto social. Trabalho com teatro, artistas, instituições e trade turístico. Essa vivência fortaleceu minha capacidade de negociação e gestão. Como empresária, sou gestora, desenvolvi visão administrativa, controle orçamentário e planejamento de longo prazo. Estruturei modelos de negócio sustentáveis, estabeleci metas claras e investi na qualificação profissional contínua. O balanço que faço é de amadurecimento constante. Cada desafio enfrentado contribuiu para aprimorar minha liderança e ampliar minha percepção sobre o setor cultural e empresarial no Brasil.

 

JP – Como se deu a sua formação cultural?

Sou graduada em Comunicação Social – Relações Públicas. Desde a adolescência me interessei por línguas estrangeiras e me formei nos idiomas : Inglês, Francês e Espanhol, o que expandiu meu contato com diferentes referências culturais, literárias e midiáticas. Esse repertório internacional contribuiu para uma visão mais ampla das dinâmicas culturais e das formas de expressão em distintos contextos. Após a falência da Varig, voltei a estudar com o objetivo de me readequar ao mercado de trabalho e buscar novas oportunidades. Fui aprovada para cursar um MBA em “Gestão de Projetos de Entretenimento” na FGV, e concluí em 2011. Isso me deu acesso a conhecimento estratégico e organizacional. Esse curso me recolocou no mercado, me trouxe uma compreensão estruturada sobre planejamento, execução e gestão de iniciativas culturais, unindo criatividade e método na condução de projetos voltados ao setor de entretenimento. Assim, me tornei empresária.

 

JP – Você foi comissária de bordo! O que lhe proporcionou a carreira de comissária?

Nos anos 80, a profissão tinha um glamour marcante. Naquela época, voar era algo muito mais exclusivo,  bem diferente da aviação mais acessível que temos hoje. Trabalhar a bordo de uma aeronave, era enriquecedor e oportunidade de conhecer novos países, cidades e culturas de forma constante, e pessoas de diferentes origens, profissões e estilos de vida. Como o perfil de quem viajava era mais seleto, muitas vezes eram empresários, artistas, diplomatas. Exercer a profissão de Comissária de Bordo contribuiu para meu crescimento pessoal. Durante os 20 anos que voei, aprendi a lidar com situações inesperadas, desenvolver postura, comunicação, idiomas e ter jogo de cintura.

JP – Através das suas viagens, quais foram as culturas que mais lhe fascinaram? Justifique.

Meu idioma preferido é Francês. Meu fascínio era por Paris. Eu adorava caminhar pela cidade porque eu tinha a sensação de estar atravessando um museu a céu aberto. Lugares como o Museu do Louvre, o Musée d’Orsay e a própria Catedral de Notre-Dame me faziam sentir o peso da cultura e a beleza da história. Os cafés nas calçadas onde eu me sentava para ler,  eu degustava a gastronomia francesa e admirava a elegância dos trajes dos parisienses. A presença da Torre Eiffel, as luzes refletindo no Sena, as pontes, os boulevards… tudo parece cenário de filme, mas é real. Paris sempre foi um polo de pensadores, escritores, artistas.  E meu local predileto era an “Place dês Voges”, lugar perfeito para reflexão, onde eu me inspirava e desenvolvia minha criatividade.

JP – Quais as lembranças que você tem de ter trabalhado na VARIG?

Conheci tantos destinos, culturas e pessoas diferentes. Voei numa época em que a experiência de viajar tinha um glamour especial, uniformes elegantes, serviço de bordo impecável. Tinha um orgulho enorme vestir aquela marca. Sinto saudades das tripulações, das escalas, dos pernoites, das histórias compartilhadas nos hotéis e nos aeroportos… esse tipo de laço é difícil de encontrar em outros ambientes profissionais. Quem passou pela VARIG tinha orgulho de fazer parte de algo grande, respeitado internacionalmente e que representava o Brasil pelo mundo.

JP – Por que você deixou a carreira de comissária de bordo e se tornou uma empreendedora cultural?

Quando a VARIG faliu, não foi só o fim de uma empresa, foi o fim de um ciclo de vida. Eu ainda não estava aposentada, então precisei transformar a dor da perda em movimento. Decidi voltar a estudar e foi um divisor de águas. Descobri que toda a bagagem acumulada como comissária: organização, comunicação, sensibilidade cultural, visão internacional, podia ser reaproveitada de outra forma. Em vez de representar uma marca, passei a construir a minha própria trajetória. Aprendi a estruturar projetos, desenvolver conceitos, captar recursos e, principalmente, criar meus próprios conteúdos e projetos. A aviação me mostrou o mundo. A gestão cultural me deu autoria.

 

JP –  Como surgiu o projeto do espetáculo Ginga Cultural? O que apresenta?

Desenvolvi durante o MBA na Fundação Getúlio Vargas. É uma peça musical sobre a cultura popular brasileira.

 

JP –  Quais são os seus planos futuros?

Continuar conectando pessoas, culturas e experiências.

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