
JP – Olá, Luciana! Como era Pernambuco no tempo do seu nascimento?
Nasci no Recife, uma cidade marcada por uma extraordinária riqueza cultural, mas também por profundas desigualdades sociais. Minha história começou nesse cenário de contrastes e foi construída entre diferentes realidades de Pernambuco.
Sou filha de mãe solo e, quando eu tinha apenas cinco anos de idade, minha mãe decidiu me levar para a Zona da Mata canavieira pernambucana. Ela temia perder a filha para o meu pai, que desejava ficar comigo, mas não com a mãe da filha dele. Foi uma decisão difícil, tomada por uma mulher corajosa que escolheu proteger sua filha acima de tudo.
Na Zona da Mata vivi minha infância e adolescência. Cresci entre os canaviais, convivendo com trabalhadores rurais e observando de perto as dificuldades econômicas e sociais enfrentadas por muitas famílias. Foi ali que aprendi valores que me acompanham até hoje: trabalho, dignidade, solidariedade e perseverança.
Aos 15 anos, retornei ao Recife para trabalhar, estudar e ajudar a sustentar minha família. Passei a morar em uma comunidade com um nome curioso e emblemático: Os Inocentes da Mustardinha. Ali encontrei uma nova realidade social. Se na Zona da Mata a exclusão estava ligada às condições do campo e à concentração de renda, na periferia urbana ela se apresentava de outras formas: falta de oportunidades, preconceito, dificuldades de acesso à educação e ao mercado de trabalho.
Foi convivendo com essas diferentes realidades que desenvolvi uma profunda consciência social. Entendi que muitas pessoas não precisam de caridade, precisam de oportunidades. Talvez por isso minha trajetória sempre tenha sido marcada pela educação, pelos projetos sociais, pela comunicação e pelo desejo de dar visibilidade a histórias que muitas vezes permanecem invisíveis.
Quando olho para minha caminhada, vejo que ela foi construída por mulheres fortes, especialmente minha mãe, e pelas experiências vividas entre o Recife, a Zona da Mata de Pernambuco e a comunidade da Mustardinha. Essas vivências me ensinaram que nossas origens não determinam nosso destino. Pelo contrário: elas podem ser a força que impulsiona nossos sonhos.
JP – Como se deu a sua formação?
Minha formação foi construída em diferentes etapas da vida. Sou professora, jornalista, empresária, editora e consultora de projetos. Tenho especialização em desenvolvimento cognitivo infantil e atualmente curso Ciências Econômicas. Mas acredito que minha maior escola foi a própria vida. Trabalhei em projetos sociais, movimentos comunitários, educação popular, comunicação e empreendedorismo. Cada experiência agregou um conhecimento novo. Sempre acreditei que o aprendizado não tem prazo de validade. Continuo estudando porque acredito que conhecimento é uma das ferramentas mais poderosas para transformar vidas e criar oportunidades.
JP – Por que você veio para a cidade do Rio de Janeiro?
O Rio de Janeiro sempre foi uma cidade estratégica para os projetos que desenvolvo. Vim em busca de novas conexões, oportunidades e expansão para o Grupo Jurema. O Rio é uma vitrine nacional e internacional. Aqui encontrei um ambiente favorável para ampliar o alcance da Revista Jurema, fortalecer parcerias e desenvolver projetos voltados para cultura, empreendedorismo, comunicação e protagonismo feminino. Mas nunca deixei Pernambuco para trás. Pelo contrário. Trago comigo a cultura, a força e a identidade nordestina em tudo o que faço.
JP – Como se deu a criação do Grupo Jurema?
O Grupo Jurema nasceu de um sonho e de uma tese.
Eu acredito que todo empreendedor precisa ter uma tese, assim como tiveram os grandes empresários da história. Henry Ford acreditava que o automóvel deveria ser acessível para todos. Walt Disney acreditava no poder da imaginação. Steve Jobs acreditava que a tecnologia precisava ser simples e transformar a vida das pessoas. Luiza Trajano acreditava que o varejo deveria estar próximo das pessoas. A minha tese sempre foi a de que histórias transformam vidas. Acredito que pessoas, empresas e projetos precisam de visibilidade para crescer. Acredito que a comunicação gera oportunidades, conecta pessoas e abre caminhos. Foi dessa convicção que nasceu a Revista Jurema, inspirada na árvore jurema, símbolo de resistência do sertão nordestino. Com o tempo, a revista cresceu e se transformou no Grupo Jurema, que hoje reúne comunicação, eventos, editora, consultoria e projetos de desenvolvimento humano e empresarial.
JP – Quais são os objetivos e as atividades do Grupo Jurema?
Nossa missão é conectar pessoas, valorizar histórias e gerar oportunidades. Atuamos através da Revista Jurema, da CEL Editora, da produção de eventos empresariais e culturais, premiações, projetos sociais, consultoria empresarial e iniciativas voltadas ao fortalecimento de marcas e empreendedores. Também desenvolvemos projetos como Mulheres nos Espaços de Poder, que busca ampliar a participação feminina em ambientes de liderança e decisão. O Grupo Jurema acredita que desenvolvimento econômico, cultura, educação e comunicação precisam caminhar juntos para construir uma sociedade mais inclusiva.
JP – Qual é a sua competência como CEO do Grupo Jurema?
Minha função é liderar estrategicamente a organização, desenvolver novos projetos, construir parcerias e garantir que a missão do Grupo Jurema seja cumprida. Mas gosto de definir meu papel de uma forma mais humana. Sou uma construtora de pontes. Trabalho conectando pessoas, empresas, ideias e oportunidades. Também participo diretamente da criação de conteúdo, da gestão institucional, da expansão de negócios e da captação de recursos para projetos. Uma CEO precisa enxergar além do presente. Precisa antecipar tendências, identificar oportunidades e inspirar pessoas a acreditarem em um propósito comum.
JP – Como você concilia a vida familiar com a função de CEO?
Conciliar não é uma tarefa simples, mas é possível quando existe propósito. Sou mãe, avó, profissional, empreendedora e mulher. Ao longo da vida aprendi que não existe sucesso verdadeiro se não houver equilíbrio emocional e afetivo. Minha família é minha base, minha fonte de energia e inspiração. Procuro estar presente nos momentos importantes e valorizar cada encontro, mesmo com uma agenda intensa.
Também aprendi algo muito importante: ninguém constrói uma trajetória sozinho. O apoio da família e das pessoas que caminham conosco é fundamental para qualquer realização.
JP – Quais são os seus projetos futuros?
Tenho muitos sonhos e projetos em andamento.
Quero consolidar o Grupo Jurema como uma plataforma nacional de comunicação, cultura, empreendedorismo e desenvolvimento humano. Estamos ampliando a atuação da Revista Jurema, fortalecendo a CEL Editora, expandindo o projeto Mulheres nos Espaços de Poder e desenvolvendo a Revista Jurema na TV, um formato inovador que une conteúdo, entrevistas e experiências empresariais. Também pretendo concluir minha graduação em Ciências Econômicas e ampliar minha atuação em consultoria estratégica para empresas e projetos de impacto social. Mas, acima de tudo, quero continuar fazendo aquilo que sempre me moveu: criar oportunidades para pessoas, dar visibilidade a boas histórias e mostrar que sonhos podem se tornar realidade quando são acompanhados de trabalho, propósito e perseverança. Acredito que o futuro pertence às pessoas que não têm medo de começar, de recomeçar e de acreditar. E eu continuo acreditando.





