Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2026
  • julho
  • A Família Teles: Quando a Ditadura Chegou à Infância
  • Colunistas

A Família Teles: Quando a Ditadura Chegou à Infância

Luiz Claudio de Almeida 15 de julho de 2026 4 minutes read
Screenshot

Screenshot

Redes Sociais
           
Por Henrique Pinheiro –  Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, filho de João Pinheiro Neto, organiza o livro Crônicas que nunca contaram na escola – Colunista convidado.
 “Mamãe, por que você está azul?”
 A pergunta foi feita por Janaína Teles, de apenas cinco anos de idade, ao reencontrar a mãe nas dependências do DOI-CODI da Rua Tutóia, em São Paulo.
 Era dezembro de 1972. Enquanto o país se aproximava das festas de fim de ano, Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha, e seu marido, César Teles, haviam sido presos por agentes da repressão política. Conduzidos ao DOI-CODI, um dos principais centros de interrogatório e tortura da ditadura militar brasileira, passaram a ser submetidos a violentas sessões de espancamentos e choques elétricos.
 Na casa da família permaneceram duas crianças: Janaína, de cinco anos, e Edson, de quatro.
 No dia seguinte, elas também foram levadas ao DOI-CODI.
 Não porque representassem qualquer ameaça ao regime.
 Não porque tivessem cometido algum crime.
 Eram apenas duas crianças.
 Ao reencontrar a mãe, Janaína encontrou um rosto desfigurado pelos espancamentos, o corpo coberto de hematomas e a pele marcada pela violência. Sem compreender o que via, fez a pergunta que atravessaria mais de cinco décadas:
 “Mamãe, por que você está azul?”
 Na simplicidade daquela frase estava condensada toda a brutalidade de um período da história brasileira.
 Janaína não conhecia política.
 Não sabia o que era uma ditadura.
 Não entendia o significado de palavras como repressão, censura ou tortura.
 Via apenas a própria mãe transformada pela violência.
 Ao permitir que duas crianças presenciassem o sofrimento dos pais, os agentes da repressão ultrapassaram uma das fronteiras mais elementares da dignidade humana. A tortura deixava de atingir apenas o preso político e alcançava deliberadamente sua família, utilizando o vínculo entre pais e filhos como instrumento de pressão psicológica.
 Depois de alguns dias, Janaína e Edson foram encaminhados ao Juizado de Menores e, posteriormente, entregues aos avós maternos.
 Mas experiências como essa não terminam quando se fecham as portas de uma prisão.
 Elas permanecem na memória de quem as viveu.
 Décadas depois, Janaína tornou-se historiadora e pesquisadora dedicada ao estudo da ditadura militar brasileira. Edson seguiu a carreira acadêmica como filósofo e professor universitário, desenvolvendo reflexões sobre memória, violência de Estado e democracia.
 A trajetória da família Teles também se tornou um marco na Justiça brasileira.   Em uma ação cível histórica, foi reconhecida a responsabilidade do então coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra pela prática de tortura durante o regime militar, decisão que representou um importante reconhecimento da responsabilidade do Estado por graves violações de direitos humanos.
 A história da família Teles revela que a repressão não se limitou às celas.
 Ela entrou nas casas. Separou pais e filhos. Interrompeu infâncias. Produziu marcas que acompanharam famílias por toda a vida.
 Toda democracia precisa preservar a memória dos seus momentos mais dolorosos. Não para alimentar ressentimentos ou dividir o país, mas para compreender até onde pode chegar um Estado quando abandona os limites da lei e da dignidade humana.
 A pergunta feita por uma menina de cinco anos continua ecoando na história do Brasil.
 “Mamãe, por que você está azul?”
 Talvez nenhuma investigação, nenhum documento oficial e nenhuma sentença judicial consigam traduzir, com tanta força, o drama vivido por aquela família.
 Porque há momentos em que uma única pergunta infantil é capaz de revelar toda a dimensão de uma tragédia nacional.

About the Author

Luiz Claudio de Almeida

Administrator

View All Posts

Post navigation

Previous: Macaé vai receber, em agosto, a XIX Feira de Responsabilidade Socioambiental da Bacia de Campos
Next: Encontro Multidisciplinar

Postagens Relacionadas

WhatsApp Image 2026-07-15 at 13.29.01
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Amor do filho

Vicente Limongi Netto 15 de julho de 2026
Screenshot_20260713_184503_Gmail
  • Alex Gonçalves Varela
  • Colunistas

“Alegria é Resistência”

Alex Varela Gonçalves 15 de julho de 2026
WhatsApp Image 2026-07-15 at 20.01.19
  • Colunistas

Publicidade de bets nas ruas: os limites da competência municipal e a proteção do espaço urbano

Luiz Claudio de Almeida 15 de julho de 2026

Recent Posts

  • Charge do Dia
  • Peptídeos: nem tudo o que viraliza está realmente pronto para ser usado de forma ampla e segura
  • Charge do Dia
  • Amor do filho
  • “Alegria é Resistência”

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • IMG-20260715-WA0064
    Charge do Dia
  • image (3)
    Peptídeos: nem tudo o que viraliza está realmente pronto para ser usado de forma ampla e segura
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

IMG-20260715-WA0064
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 15 de julho de 2026
image (3)
  • Cultura
  • Variedades

Peptídeos: nem tudo o que viraliza está realmente pronto para ser usado de forma ampla e segura

Luiz Claudio de Almeida 15 de julho de 2026
WhatsApp Image 2026-07-15 at 00.33.36
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 15 de julho de 2026
WhatsApp Image 2026-07-15 at 13.29.01
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Amor do filho

Vicente Limongi Netto 15 de julho de 2026

Recent Posts

  • IMG-20260715-WA0064
    Charge do Dia15 de julho de 2026
  • image (3)
    Peptídeos: nem tudo o que viraliza está realmente pronto para ser usado de forma ampla e segura15 de julho de 2026
  • WhatsApp Image 2026-07-15 at 00.33.36
    Charge do Dia15 de julho de 2026

Tags

Arte beija-flor Blocos de Carnaval Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Centro Cultural Correios Cinema crime Cultura eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira Mostra Natal OAB-RJ Política Portela Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.