“A Vida Continua…”

Estreou O Filho no teatro Fernanda Montenegro.

 

O texto de Florian Zeller é dramático, tenso, intenso, potente, emocionante, reflexivo, realista, relacional, doloroso, valoriza a perpetuidade dos laços matrimoniais e familiares, salienta o cuidado com a saúde mental dos adolescentes, e contemporâneo. Reforça a importância da família para a vida em sociedade e a manutenção dos enlaces matrimoniais. A ruptura pode trazer consequências brutais para os filhos, como no caso do texto, que ocasionou um quadro de depressão e confusão mental na vida do adolescente Nicolas, filho do casal divorciado. O suicídio acaba sendo o elemento final trágico de um longo processo marcado por esse cisma.

 

O elenco apresenta uma atuação de qualidade, e merecedora de elogios. Maria Flor (mãe), Gabriel Braga Nunes (pai), Thais Lago (atual esposa do pai), Andreas Trotta (Nicolas – filho). Os quatro integrantes do elenco estão unidos, entrosados, afinados, pulsantes e vibrantes. Eles interpretam de forma refinada, e emocionam. Dominam o texto, utilizando uma linguagem acessível, estabelecendo diálogos intensos e emocionantes, e uma boa retórica. Dominam o palco, se movimentando intensamente, e preenchendo todos os espaços do palco. Estabelecem uma boa comunicação com o público, contagiando a platéia com suas interpretações emocionantes. Portanto, uma atuação primorosa e digna de aplausos.

 

Completam ainda o elenco, com atuações pontuais e curtas,  Luciano Schwab (médico psiquiátrico, Dr. Ramirez), e Marcio Marinello (assistente do médico). Eles são os representantes da ciência, que cuidam de Nicolas no hospital e responsáveis pelo seu tratamento.

 

A direção de Léo Stefanini é dedicada, ousada, corajosa, autêntica, com marcações precisas que deixam o espetáculo dinâmico e bem conduzido, potencializando a qualidade das interpretações do elenco.

 

Os figurinos são roupas do quotidiano, adequadas aos personagens, e facilitam o deslocamento dos atores pelo palco.

 

A cenografia é a representação de uma residência, também podendo ser um espaço de um hospital. Ela é integrada por um sofá, uma cadeira de sento, e uma arca com elementos decorativos. Bem solucionada, e apresenta os elementos cenográficos dispostos corretamente pelo palco.

 

A trilha sonora de Sérvulo Augusto é boa e funcional.

 

A iluminação de Cesar Pivetti apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação dos atores. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas do elenco.

 

O Filho é uma peca teatral que apresenta um texto que reflete sobre a depressão e a saúde mental na adolescência; um elenco vigoroso, que interpreta e emociona; e uma direção que valorizou os atotes e as atrizes.

 

Excelente produção cênica!

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