
Com a queda dos hormônios, a produção de colágeno diminui, a pele passa a responder de forma diferente, tornando-se mais fina, flácida e menos hidratada. Essas mudanças ficam evidentes não apenas no rosto, mas também em regiões como braços e corpo.
Embora façam parte de uma nova fase da vida, essas transformações não precisam ser encaradas como algo inevitável. Hoje, a dermatologia conta com tratamentos que atuam diretamente na qualidade da pele, como os bioestimuladores de colágeno, que estimulam a produção natural dessa proteína e ajudam a recuperar, de forma gradual, a firmeza, a sustentação e a estrutura da pele.
Quando diferentes tecnologias são associadas de forma personalizada, os resultados podem ser potencializados, contribuindo para uma pele mais saudável, resistente e funcional ao longo do tempo. Mais do que tratar os sinais visíveis do envelhecimento, o objetivo é acompanhar as mudanças do corpo em cada fase da vida, respeitando suas características e promovendo longevidade com qualidade.
Fomos conversar com a dermatologista Marcella Alves, da Onne Clinic (RJ), que explicou o assunto. Confira!
JP – Por que o envelhecimento da pele não está relacionado apenas à idade e qual é o papel da menopausa nesse processo?
O envelhecimento da pele é resultado da combinação de fatores cronológicos, ambientais, genéticos e hormonais. Na menopausa, a queda do estrogênio ganha importância, porque esse hormônio participa da manutenção de diferentes estruturas e funções da pele. Por isso, a transição menopausal pode intensificar alterações que já fazem parte do envelhecimento, como perda de elasticidade, redução da espessura e do colágeno, maior ressecamento e mudanças na qualidade da barreira cutânea. É importante entender, portanto, que a pele não está apenas envelhecendo pelo passar dos anos: ela também está respondendo às transformações hormonais do organismo.
JP – Como a queda hormonal interfere na produção de colágeno e quais são as principais mudanças percebidas na pele durante essa fase?
A redução do estrogênio está associada a uma menor produção e manutenção do colágeno, além de alterações na matriz extracelular e nas fibras elásticas. Na prática, isso pode se traduzir em redução da firmeza e elasticidade, afinamento da pele, maior ressecamento e aparecimento ou acentuação de rugas. A literatura também mostra que a menopausa pode afetar a capacidade de retenção de água e a função da barreira cutânea. É uma mudança que pode ser percebida no rosto, mas também em outras áreas do corpo, o que merece uma abordagem que considere a qualidade global da pele, não apenas as rugas.
JP – Como os bioestimuladores de colágeno atuam e para quais mulheres eles costumam ser indicados?
Os bioestimuladores de colágeno são produtos injetáveis que estimulam uma resposta de produção de novo colágeno, contribuindo gradualmente para melhorar a firmeza, a sustentação e alguns aspectos da qualidade da pele. Entre os mais estudados estão o ácido poli-L-láctico (PLLA) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA). Uma revisão sistemática publicada recentemente na revista Aesthetic Plastic Surgery encontrou evidências de melhora da elasticidade e de outros parâmetros estéticos com esses dois tipos de bioestimuladores, embora os resultados possam variar de acordo com o produto utilizado, a técnica empregada e as características individuais de cada paciente.
Eles podem ser considerados para mulheres que apresentam perda de firmeza ou alterações na qualidade da pele, inclusive durante ou após a menopausa, mas não existe uma indicação automática pelo fato de a mulher estar nessa fase da vida. A escolha deve ser individualizada após avaliação dermatológica, considerando as características da pele, o grau de flacidez, os objetivos da paciente e a indicação específica de cada produto.
JP –Por que a associação de diferentes tecnologias pode proporcionar resultados mais eficazes no tratamento da pele durante e após a menopausa?
Porque o envelhecimento cutâneo é um processo multifatorial e diferentes tratamentos podem atuar sobre aspectos distintos da qualidade da pele. Dependendo da avaliação, é possível associar estratégias voltadas para estímulo de colágeno, textura, pigmentação, flacidez ou outras alterações específicas. A combinação, porém, não deve significar simplesmente fazer mais procedimentos. É preciso uma indicação clara, respeitar o momento de cada tratamento e considerar as características e necessidades daquela pele. As evidências disponíveis sugerem potencial benefício das abordagens combinadas, mas ainda são necessários estudos mais robustos para estabelecer quais combinações são superiores em cada situação. Por isso, a personalização é mais importante do que seguir protocolos padronizados.




