
Onze trabalhos inéditos do escultor Ascânio MMM compõem a exposição ‘Poex”, que a galeria Silvia Cintra+Box 4, inaugurou no último sábado, 15. São 10 peças de parede e uma escultura de chão, penetrável, de quase quatro metros de altura, todas realizadas entre 2024 e 2026. A mostra fica em cartaz até 26 de setembro.
A novidade desta série é a troca dos perímetros quadrados e retangulares, da fase anterior, por irregularidades na montagem dos elementos de alumínio vazado que constituem a peça.
Em seu texto de apresentação, o crítico Felipe Scovino diz que “Poex” passa não só a adotar formatos irregulares, mas, acima de tudo, institui a ruptura da trama. O sistema em grid […] não deixa de existir, mas passa a ser atravessado por um regime da falta. Scovino defende que, nesta mostra, o vazio é uma força poética do trabalho.
Desta vez, Ascânio acrescenta cores às opções do limitado catálogo de pintura eletrostática, com tinta spray sobre o branco eletrostático para aumentar sua paleta. “Assim como o pintor, testo todas as cores possíveis”, revela o artista.
Scovino qualifica: “Ascânio é um escultor que pensa como pintor. A grande trama de alumínio, construída manualmente pelo artista, carregando traços de singularidade e diferença para cada obra, é também uma tela…”
A grande escultura de chão, esta sem cor, é formada por dois módulos semicirculares que se encaixam. Na parte superior, há espelhos suspensos a 3 e 3,5 metros do chão. O visitante pode entrar no trabalho e ter ali uma experiência de infinitude e mistério, como propõe o artista.
Ascânio Maria Martins Monteiro, abreviado para Ascânio MMM, nasceu em Fão, Portugal, em 1941. Mudou-se para o RJ em 1959 e naturalizou-se brasileiro em 1970. É formado em Arquitetura [UFRJ] e estudou arte na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1972, ele ganhou o Grande Prêmio do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e o Prêmio Viagem e Aquisição no Salão Nacional de Artes Plásticas 1978 [MEC Rio]. Participou da Bienal Internacional de São Paulo 1969 e 1979 e da Bienal do Mercosul 1997. Seu trabalho integra os acervos do MASP, MAC-SP, MAM-SP, MAM Rio, Museu Nacional de Belas Artes, Museu de Arte do Rio [MAR] e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Seu currículo soma cerca de 36 individuais no Rio, SP, BH, Curitiba, Recife, Lisboa, Porto e 110 coletivas e salões.
O escultor tem obras de grandes dimensões em espaços públicos, como na sede da Prefeitura do RJ [Centro, RJ], no Edifício Argentina [Praia de Botafogo 228], no Edifício Residencial Daniel Maclise [Cosme Velho], nos hotéis Royalty Copacabana e Barra da Tijuca, na sede da GlaxoSmithKline, Jacarepaguá [RJ]; no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de SP, no Edifício Salvador Dalí, Belo Horizonte, e na Assembleia Legislativa de Teresina, Piauí. No exterior, Ascânio tem peças em Lisboa e Fão, Portugal, e no Edifício Nissin, Tóquio, Japão.
Fotos Cristina Lacerda


































