
A potência criativa do feminino em meio à exuberância da Mata Atlântica, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Fundada em abril de 2026, a Caså Lira reúne 11 artistas contemporâneas, em uma comunidade para encontro e construção de redes. Neste domingo, 16 de agosto, uma exposição coletiva e todos os ateliês abertos ao público, marcou a inauguração oficial do espaço que, há décadas, mantém uma relação próxima com a produção artística da cidade.
“O ateliê guarda uma contradição. É, ao mesmo tempo, lugar de criação e o lugar de onde a obra deverá partir. Ali, o trabalho existe antes de assumir inteiramente sua condição pública: convive com tentativas, restos, ferramentas, hesitações, obras interrompidas e processos que talvez nunca venham a ser obras. Há uma perda nessa passagem, mas também uma transformação. Abrir um conjunto de ateliês ao público significa interferir justamente nessa distância: por algum tempo, aproximam-se o lugar onde o trabalho acontece e aquele em que ele se oferece ao olhar”, conta Fabricio Guimarães.
Curador da mostra, ele selecionou obras de todas as artistas, que se espalham pela casa e seguem em cartaz até o dia 5 de setembro, quando a Lira recebe uma nova mostra aberta ao público.
“Esta exposição não pretende definir uma identidade. Faz algo anterior: torna pública uma situação de trabalho. O que se apresenta é um conjunto de práticas já constituídas e, simultaneamente, o início de uma convivência cujos efeitos ainda não podem ser conhecidos. É precisamente aí que reside sua potência. A Caså Lira não começa pela afirmação de uma linguagem comum, mas pela construção das condições para que as diferenças permaneçam próximas durante tempo suficiente para produzir consequências. Abrir a casa agora é expor esse começo — não como promessa de unidade, mas como hipótese de trabalho”, completa.
Fotos Cristina Lacerda














































