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Por Henrique Pinheiro – Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
João Goulart (1919–1976) precisava voltar ao Brasil. Era o vice-presidente da República e, pela Constituição, o sucessor de Jânio Quadros, que renunciara em 25 de agosto de 1961.
Mas os ministros militares haviam decidido impedir sua posse.
Enquanto Jango atravessava o mundo para retornar ao país, Leonel Brizola (1922–2004) comandava a resistência no Rio Grande do Sul. Do Palácio Piratini, seus discursos eram transmitidos pela Rede da Legalidade e chegavam a diferentes regiões do Brasil.
A crise ameaçava transformar-se em confronto armado.
Então ocorreu uma mudança decisiva. O general José Machado Lopes (1896–1990), comandante do III Exército, rompeu com a orientação dos ministros militares e decidiu defender uma solução constitucional para a sucessão presidencial.
O equilíbrio de forças mudou.
Jango já não estava sozinho.
Sua longa viagem de volta prosseguiu por Singapura, Zurique, Paris e Nova York. Depois, desceu pelas Américas até chegar a Buenos Aires e Montevidéu.
Às portas do Brasil, começou a ser construída uma saída política para evitar uma guerra civil.
Em Montevidéu, Jango recebeu o deputado federal mineiro Tancredo Neves (1910–1985), que participava das negociações para encontrar uma solução para o impasse.
A fórmula encontrada foi o parlamentarismo.
A ideia não nascera naquela crise. O deputado gaúcho Raul Pilla (1892–1973), histórico defensor do sistema parlamentarista, já havia apresentado uma proposta de emenda constitucional antes mesmo da renúncia de Jânio.
Agora, porém, o parlamentarismo ganhava uma finalidade imediata.
Jango poderia tomar posse.
Mas não assumiria com os mesmos poderes que teria no regime presidencialista.
Parte substancial da condução do governo passaria ao Conselho de Ministros, chefiado por um presidente do Conselho, figura equivalente à de um primeiro-ministro.
Era o preço político exigido para superar o veto à sua posse.
Brizola não concordava.
Depois de mobilizar o Rio Grande do Sul em defesa da Constituição, considerava que Jango deveria assumir integralmente os poderes que ela lhe assegurava.
Para Brizola, aceitar o parlamentarismo significava fazer uma concessão justamente aos que haviam tentado impedir a sucessão constitucional.
Jango pensava de outra maneira.
Diante da possibilidade concreta de um conflito entre forças militares brasileiras, preferiu negociar.
Aceitou perder poderes para poder assumir a Presidência.
Em 2 de setembro, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional nº 4, instituindo o parlamentarismo.
Mas, na noite anterior, outro acontecimento simbólico já havia ocorrido.
Em 1º de setembro de 1961, vindo de Montevidéu, João Goulart pousou no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.
Depois de atravessar meio mundo, estava novamente em território brasileiro.
Brizola o aguardava.
A Campanha da Legalidade conseguira garantir sua volta.
Mas ainda não havia garantido sua chegada a Brasília.
Dentro da Aeronáutica, setores contrários à posse preparavam uma última tentativa de impedir que o avião presidencial alcançasse a capital.
A crise que começara no rádio e quase terminara em bombas sobre o Palácio Piratini agora subiria aos céus.
A viagem mais perigosa de João Goulart ainda estava por começar.
João Goulart (1919–1976) precisava voltar ao Brasil. Era o vice-presidente da República e, pela Constituição, o sucessor de Jânio Quadros, que renunciara em 25 de agosto de 1961.
Mas os ministros militares haviam decidido impedir sua posse.
Enquanto Jango atravessava o mundo para retornar ao país, Leonel Brizola (1922–2004) comandava a resistência no Rio Grande do Sul. Do Palácio Piratini, seus discursos eram transmitidos pela Rede da Legalidade e chegavam a diferentes regiões do Brasil.
A crise ameaçava transformar-se em confronto armado.
Então ocorreu uma mudança decisiva. O general José Machado Lopes (1896–1990), comandante do III Exército, rompeu com a orientação dos ministros militares e decidiu defender uma solução constitucional para a sucessão presidencial.
O equilíbrio de forças mudou.
Jango já não estava sozinho.
Sua longa viagem de volta prosseguiu por Singapura, Zurique, Paris e Nova York. Depois, desceu pelas Américas até chegar a Buenos Aires e Montevidéu.
Às portas do Brasil, começou a ser construída uma saída política para evitar uma guerra civil.
Em Montevidéu, Jango recebeu o deputado federal mineiro Tancredo Neves (1910–1985), que participava das negociações para encontrar uma solução para o impasse.
A fórmula encontrada foi o parlamentarismo.
A ideia não nascera naquela crise. O deputado gaúcho Raul Pilla (1892–1973), histórico defensor do sistema parlamentarista, já havia apresentado uma proposta de emenda constitucional antes mesmo da renúncia de Jânio.
Agora, porém, o parlamentarismo ganhava uma finalidade imediata.
Jango poderia tomar posse.
Mas não assumiria com os mesmos poderes que teria no regime presidencialista.
Parte substancial da condução do governo passaria ao Conselho de Ministros, chefiado por um presidente do Conselho, figura equivalente à de um primeiro-ministro.
Era o preço político exigido para superar o veto à sua posse.
Brizola não concordava.
Depois de mobilizar o Rio Grande do Sul em defesa da Constituição, considerava que Jango deveria assumir integralmente os poderes que ela lhe assegurava.
Para Brizola, aceitar o parlamentarismo significava fazer uma concessão justamente aos que haviam tentado impedir a sucessão constitucional.
Jango pensava de outra maneira.
Diante da possibilidade concreta de um conflito entre forças militares brasileiras, preferiu negociar.
Aceitou perder poderes para poder assumir a Presidência.
Em 2 de setembro, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional nº 4, instituindo o parlamentarismo.
Mas, na noite anterior, outro acontecimento simbólico já havia ocorrido.
Em 1º de setembro de 1961, vindo de Montevidéu, João Goulart pousou no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.
Depois de atravessar meio mundo, estava novamente em território brasileiro.
Brizola o aguardava.
A Campanha da Legalidade conseguira garantir sua volta.
Mas ainda não havia garantido sua chegada a Brasília.
Dentro da Aeronáutica, setores contrários à posse preparavam uma última tentativa de impedir que o avião presidencial alcançasse a capital.
A crise que começara no rádio e quase terminara em bombas sobre o Palácio Piratini agora subiria aos céus.
A viagem mais perigosa de João Goulart ainda estava por começar.
Foto: João Goulart e Leonel Brizola no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, após a chegada de Jango ao Rio Grande do Sul, em 1º de setembro de 1961.




