Ueno Bank: o Banco Master do Paraguai?
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Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo do documentário “Terra Revolta”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
O Paraguai, que virou moda entre brasileiros em busca de impostos menores, agora enfrenta um escândalo bancário que lembra, em alguns aspectos, o caso do Banco Master.
O Banco Central paraguaio interveio no Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, com quase 3 milhões de clientes.
A instituição cresceu rapidamente, oferecendo facilidades de crédito e atraindo clientes para seus produtos financeiros. Mas, acabou enfrentando uma grave crise de solvência. E, a história começa a ficar familiar.
O banco concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo aproximadamente US$ 355 milhões da previdência paraguaia. O destino desses recursos tornou-se motivo de preocupação.
E, tem mais: o presidente Santiago Peña foi sócio do grupo controlador do banco. O presidente do Banco Central, que havia dirigido o Ueno, acabou renunciando.
Qualquer semelhança com o Banco Master merece ser investigada.
Como todos sabem, o Paraguai passou a ser apresentado por alguns como uma espécie de Suíça da América do Sul, um paraíso de impostos baixos e oportunidades financeiras.
Agora resta saber quantos brasileiros, além de buscar vantagens tributárias, também foram seduzidos pela promessa de juros mais elevados naquele mercado.
Se isso aconteceu, a ironia é completa: saíram do Brasil em busca de vantagens financeiras e podem ter encontrado uma armadilha paraguaia.
Porque não existe almoço grátis no mercado financeiro.
E, agora, só falta descobrir se os donos do banco também gostavam de festas regadas a whisky importado.
Afinal, quando a festa acaba, a conta costuma chegar para quem nem sequer foi convidado.


