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Alana Morgana fala sobre como ser uma bruxa contemporânea

Luiz Claudio de Almeida 2 de novembro de 2023 5 minutes read
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Para quem mexe ou simplesmente acredita no sobrenatural, essa é uma semana diferente, com energias mais densas sobre a Terra, especialmente onde se cultua o extra físico.  E para falar da religião Wicca, do preconceito que ainda existe sobre as pessoas que usam a nomenclatura   ‘bruxa’, convidei a Sacerdotisa, Bruxa do Bem, e muito conceituada, Alana Morgana. Em nossa conversar, a carismática Alana falou sobre esses assuntos e ainda como salvar  a natureza, convivências entre seres humanos  e felicidade. Confira!
JP – Pode me falar um pouco sobre a Religião Wicca?

A religião Wicca foi fundada em 1951, pelo antropólogo Gerald Gardner, após o advento da extinção da “Caça às Bruxas”, a lei contra a bruxaria. Interessante notar que só foi revogada em 1951, portanto, muito recente.  As bruxas eram mulheres sábias que cuidavam da natureza (e ainda cuidam), parteiras, que trabalhavam com ervas medicinais; com a Mãe Terra, celebrando a lua cheia, a roda do ano e outros deuses e deusas, não o imposto pelo cristianismo. Na religião Wicca, a deusa tríplice é a deusa Jovem, Mãe e Anciã é a valorização do sagrado feminino.  O Deus e o Deus Cornífero, que pode ser Cernunnos, Pã, Dionísio. São deuses da fertilidade e da natureza, dos animais. A deusa nunca morre e o deus morre e renasce se tornando um ciclo de esperança e força vital.
As bruxas eram e são pagãs. “Aliás, o termo pagão, vem de pessoas do campo” que foram obrigadas, como até hoje, a se converterem ao cristianismo. Isso derivou a Caça às Bruxas na Idade Média, colocando as mulheres e pessoas como demoníacas, adoradoras de Satã e Diabo, lembrando que são a miitologia judaica cristã. Bruxas não acreditam em diabo e satã, reforçando, são meramente da mitologia judaico cristã. As bruxas da religião Wicca tem como lema: o que se fizer, retornará três vezes três. 
Uma observação: bruxaria é o ofício.
A Wicca é uma religião sacerdotal, é importante esclarecer isso. Porém, há os devocionais. Tem suas tradições e seus Covens, que só podem ter de 13 a 8 pessoas. Eu pertenço a Tradição Athena Pronaia, aonde sou fundadora e deixo um legado, uma linhagem no Brasil, aonde é reconhecida aqui e no exterior, pois já tem registro nas universidades, e vários programas de televisivos, entrevistas em muitas mídias, inclusive no History Channel.

JP – O que significa ser uma bruxa na atualidade?

Diante de tanta diversidade cultural, nos tempos atuais, aonde se resgata seus valores ancestrais, a bruxa se adapta aos tempos contemporâneos, principalmente as bruxas urbanas, como eu. Mas sempre buscando o contato da Mãe Natureza, resgatando antigos valores, de respeito e culto aos ancestrais e aos mais velhos. Realizando os rituais e orientando os jovens e outros a reconhecer a deusa e o poder da natureza.

JP – Ainda há muito preconceito?

Claro! Muito preconceito! Falar que é bruxa é ainda um tabu, inclusive para pessoas menos instruídas e as pseudo instruídas. Eu mesma quase fui morta pela ignorância alheia. Mesmo sendo conhecida neste meio pagão, que no Brasil não é tanto assim, fui ameaçada de morte e fiquei três meses em cárcere privado em casa, com meu marido. Fui ajudada pela União Wicca do Brasil. Dom  Ocenir me deu apoio enviando ao meu templo, um representante da Igreja Católica (!). A polícia, as mídias sociais que tanto me agrediram foram as mesmas  depois a “me salvar”, me convidando para entrevistas e os Direitos Humanos, que na época era a Lorrama Machado, hoje minha amiga querida e os amigos. Foi muito traumatizante. Pois queriam que saísse de minha casa. Mas eu resisti e não saí.  Enfim, estou viva e com meu templo, graças à deusa, a Athena e Apolo.

JP – Qual é o seu conceito de felicidade?

Estar em Paz com minha consciência. Ser livre para falar, pensar e agir. Meus filhos, netos e bisnetos carnais e espirituais felizes, honrando a natureza mãe e lutando pelos direitos dela.

JP – Quais são as suas principais atividades?
Atualmente o aconselhamento, ou seja, a mentoria com clientes e filhos, netos espirituais; a leitura de oráculos e ritos à Deusa. Também ler, pois é o que mais adoro, além de vários cursos dentro do esoterismo e ocultismo. Estou como uma das Conselheiras no COMSEA de São João de Meriti, aonde se trabalha para erradicar a fome entre as classes menos privilegiadas.


JP – Como salvar a natureza e preservar o meio ambiente?

Através da educação escolar, familiar, trazendo a conscientização às crianças e as massas. Para isso é preciso que as classes menos favorecidas, tenha direito à alimentação, saúde, educação e moradia. Um povo faminto, pobre não vai preservar a Natureza, pois vive no lixo. Como dizia Betinho: “Quem tem fome tem pressa”. Trabalhando assim, teremos no Brasil, pessoas mais conscientes para preservar a nossa terra. Mas, tem o lado bom das ONGS que ajudam a preservar o meio ambiente.

JP – A senhora se considera uma ativista da pluralidade e da diversidade?

Sim, mesmo dentro das minhas limitações atuais, procuro trabalhar e falar através da escrita ou dos eventos que participo fortalecendo a diversidade e a pluralidade, pois hoje em dia há muito sofrimento pela falta de inclusão e desrespeito.

JP – Que ferramentas são necessárias para melhorar a convivência entre seres humanos?

O respeito ao próximo. Deixar de lado os egos inflados e entender que somos todos iguais perante a sociedade. Ajudar a quem quer ser ajudado dentro de suas possibilidades e respeitar as diferenças.
É isso.
Que a Deusa abençoe a todos nós. Um beijo.

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Luiz Claudio de Almeida

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