
Foi aberta a exposição Amazônicas: Poéticas Femininas, nas galerias do segundo andar do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RIO).
A curadoria, assim como a direção artística, é de Sissa Aneleh. Ela teve o mérito de selecionar 80 (oitenta) obras de 21 (vinte e uma) artistas visuais do Pará, Acre e Amazonas. E ao proceder dessa maneira, ela evidencia as produções das artistas da região norte do país e confere centralidade cultural e artística a um espaço geográfico que não integra o centro-sul. O norte do Brasil é também uma região produtora de conhecimento e cultura.
A exposição é composta por gravuras, pinturas, esculturas, objetos, fotografias, performance, arte digital, videoarte, e grafite. O material é exposto de forma didática e inteligível, por meio de quatro núcleos temáticos (Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas), possibilitando que o público visitante compreenda facilmente a potência e o valor das produções.
As pinturas e as gravuras são coloridas, mas também em preto e branco, bonitas, bem produzidas, de qualidade, criativas, originais, de resistência, e memorialísticas. Elas deixam transparecer a capacidade das artistas da região norte, mulheres talentosas, competentes, e produtoras de arte.
As produções retratam espaços, agentes sociais, corpos, feminilidade, família, seres híbridos, figuras indígenas, as encantadas, ancestralidades, entre outros temas.
As pinturas, gravuras e fotografias expostas nas paredes são complementadas por objetos de cerâmica, bem como por máscaras e vestimentas relacionadas às mitologias indígenas das mulheres guerreiras.
A exposição incorpora também o audiovisual e cria um espaço com a exibição de três vídeos-artes, apresentando um conteúdo rico e denso sobre as culturas amazônicas, como arqueologias, a força materna no mundo indígena, entre outros.
Há também uma sala virtual, onde o visitante recebe um óculos 3D e realiza uma imersão no espaço virtual da exposição, tendo acesso às obras da exposição, bem como assiste a um vídeo de ritual de cura indígena. Experiência válida!
No nosso ponto de vista, as fotografias de performance são o momento ápice. Elas saem do óbvio, do tradicional. São ousadas! Elas dão relevância aos corpos femininos, explorando temas como memória, ancestralidade e a presença afroindígena na Amazônia.
As de Rafa Bqueer, artista multi e transdisciplinar de Belém do Pará, são fotografias da resistência, da luta, da revolta contra o patriarcado, e da afirmação da cultura amazônica, da força de Oyá, da artista trans que evoca a ancestralidade cabana, pega no facão e vai à luta.
Por sua vez, as fotografias de Renata Aguiar retratam o corpo feminino nu no rio, a memória das Ykamiabas.
As de Val Sampaio, retratam o corpo feminino tatuado.
E, para finalizar, a de Keila-Sankofa intitulada Raiz de Patchouli, deixa transparecer a preservação das tradições indígenas na Amazônia, o saber do manejo das plantas e ervas. Perfumes, banhos aromáticos, defumação.
Portanto, uma exposição de qualidade, feminina, culturalmente rica, ancestral, e amazônica.
Excelente produção de artes plásticas!





