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O pêndulo da História começa a voltar

O pêndulo da História começa a voltar

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 Por Henrique Pinheiro –  Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta”,  autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
As eleições brasileiras e, agora, a reação das urnas americanas trazem alguma esperança. Talvez o mundo esteja começando a sair desse período de intolerância, agressividade e hipocrisia que tomou conta da política.
Já passou da hora de abandonar essa conversa de direita contra esquerda, comunismo, defesa da família e dos bons costumes, enquanto se estimula o ódio e se trata o adversário como inimigo.
O mundo parece um pêndulo que perdeu o equilíbrio.
Foram décadas de globalização. O dinheiro atravessou fronteiras, as grandes empresas multiplicaram seus lucros, mas milhões de trabalhadores ficaram para trás. A riqueza cresceu, sem chegar a todos.
A reação foi igualmente radical. Vieram o nacionalismo, o unilateralismo, as guerras comerciais e a ilusão de que cada país pode resolver seus problemas fechando as portas ao mundo.
E que ironia! Os Estados Unidos, construídos por imigrantes, passaram a perseguir pessoas que buscam exatamente aquilo que seus antepassados procuravam: trabalho, liberdade e uma vida melhor para seus filhos.
Agora, os imigrantes e seus descendentes também ajudam a dar uma resposta nas urnas. Muitos daqueles que foram tratados como problema fazem parte da solução.
No Brasil, a história não foi muito diferente. Também tentaram convencer a população de que quem pensa diferente é inimigo da pátria.
A humanidade não está condenada a escolher entre dois extremos.
Nem uma globalização que exclua os pobres, nem um nacionalismo que exclua os estrangeiros.
É preciso recuperar a capacidade de discordar sem odiar, competir sem destruir e crescer sem abandonar ninguém.
Talvez o pêndulo esteja finalmente voltando.