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Especialista fala sobre hipertensão arterial, doença que atinge mais de 38 milhões de brasileiros

Especialista fala sobre hipertensão arterial, doença que atinge mais de 38 milhões de brasileiros

Na próxima segunda-feira (26) é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Na maioria das vezes, a hipertensão arterial não provoca sintomas, o que pode ser perigoso para o paciente que sofre com a doença. A cardiologista Renata Christian Félix, da Clinica Villela Pedras, esclarece algumas questões. Neste ano, em função da pandemia, a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) tem como tema da campanha “Cuidando da pressão arterial em tempos de pandemia”, com ações virtuais para alertar a população.

Estamos vivendo tempos difíceis em meio à pandemia. E o estresse é um fator que pode determinar o aparecimento da hipertensão arterial. Quais outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença?

Renata Christian Félix: Existem dois tipos de Hipertensão Arterial Sistêmica: primária ou essencial e a secundária. A Hipertensão Arterial Primária corresponde a mais de 90% dos casos da doença. Não tem uma causa definida, mas sim fatores que predispõem o desenvolvimento da doença. Além do estresse, que pode estar relacionado, os principais fatores associados à hipertensão arterial, são: o excesso de peso, o consumo excessivo de sal, o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo e a genética do indivíduo. 

Por ser uma doença na maioria das vezes silenciosa, dificulta o diagnóstico. Quais são os principais sinais e sintomas que a pessoa precisa estar atenta, para identificar que pode estar sofrendo de hipertensão arterial?

Renata Christian Félix: Geralmente a Hipertensão Arterial não costuma apresentar sintomas. Muitas vezes as pessoas associam uma dor de cabeça, a sintoma de pressão alta. Mas com frequência a dor é que aumenta a pressão, devido ao estresse que causa. Nossa pressão arterial não é a mesma o tempo todo. Ela fica mais baixa, quando estamos dormindo ou descansando, e é mais alta ao passarmos por momentos de estresse ou dor, voltando ao normal quando esse período passa. Isso não significa que a pessoa seja hipertensa, mas apenas uma resposta do organismo à situação vivida. 

Por outro lado, existem casos que um aumento agudo e excessivo da pressão arterial, pode gerar um quadro que precisa de atendimento de emergência. Ele é chamado de encefalopatia hipertensiva, no qual o indivíduo pode ter dor de cabeça muito forte, podendo também ter vômitos e turvamento da visão. 

Os sintomas da hipertensão estão associados a efeitos que ela pode causar em determinados órgãos a longo prazo. A pressão alta não tratada pode gerar o Acidente Vascular Encefálico, conhecido como derrame cerebral, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e insuficiência renal, por exemplo. O sintoma irá depender do órgão que foi acometido. Por isso é importante identificar a hipertensão arterial antes que ela cause esses danos. Desta forma, é imprescindível consultar um médico regularmente, para verificar a pressão arterial e fazer uma avaliação geral do estado de saúde. 

A hipertensão arterial é predominante em uma faixa etária específica?

Renata Christian Félix: A Hipertensão Arterial é mais comum após os 50 anos de idade. No entanto, com o aumento do sobrepeso na população e o consumo de alimentos industrializados, que contêm muito sal e gordura, está cada vez mais comum a identificação da doença em indivíduos jovens. 

Existe ainda a hipertensão secundária. O que é e como ela surge?

Renata Christian Félix: A Hipertensão Secundária é quando a doença tem causa definida, identificável, dentre elas, a apneia do sono, doenças renais e doenças de algumas glândulas. Em muitos casos de hipertensão secundária, após o tratamento do problema que causou a elevação da pressão arterial, a pessoa fica curada da hipertensão. Diferentemente da hipertensão primária ou essencial, que não tem cura, e a pessoa tem que tratar a pressão pelo resto da vida. 

O aparecimento da hipertensão arterial estaria ligado mais a fatores hereditários ou a fatores externos? Existe uma predominância?

Renata Christian Félix: Embora o fator hereditário seja importante para o surgimento da hipertensão primária, se sabe que outros fatores externos, ligados à alimentação inadequada, que leva ao excesso de peso; consumo abusivo de álcool, são determinantes para o estabelecimento da doença, na maioria dos casos. Por isso, adotar hábitos saudáveis de vida é o principal tratamento para evitar o desenvolvimento da hipertensão, assim como auxilia no seu adequado controle para evitar as consequências indesejáveis dos danos ao longo dos anos.