Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2024
  • fevereiro
  • O palavrão pioneiro e desconhecido de Adelino Magalhães
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

O palavrão pioneiro e desconhecido de Adelino Magalhães

Luiz Claudio de Almeida 28 de fevereiro de 2024 4 minutes read
WhatsApp Image 2024-02-28 at 12.08.52
Redes Sociais
           

Acabo de receber carta surpreendente de alunos de Literatura residentes em Juiz de Fora (envio abraço saudoso ao escritor Guido Bilharinho, colega meu e de Jerônimo Moscardo, nosso amigo de sempre e morador na cidade mineira, desde os tempos heroicos do Colégio Pedro II, em São Cristóvão). A carta questionava se eu havia mesmo feito a gravação para a posteridade no Museu da Imagem e do Som do pioneiro importante da literatura Adelino Magalhães.

Atentem como os jovens de Juiz de Fora estão antenados. Pouquíssima gente conhece hoje em dia personagem tão relevante.

Respondo de imediato aos interlocutores mineiros, desfiando-lhes pequena história. A primeira pessoa que me telefonou pedindo um depoimento para a posteridade do Adelino foi Carlos Drummond, através da minha amiga diária de telefonemas a cronista Eneida, que já trabalhava comigo no Museu da Imagem e do Som. Drummond me advertia que a gravação seria urgente, já que o escritor estava muito adoentado e velhinho (1887-1969).

O niteroiense Adelino é reconhecido pela tradição historiográfica literária como dos mais importantes impressionistas brasileiros, ao lado de Graça Aranha e Raul Pompeia. Sua prosa é marcada por narrativas que oscilam entre o trágico e a violência naturalista, mas sempre impregnada de espaços oníricos e tempos alucinatórios. Em 1963, a Aguiar publicaria suas “Obras Completas” que causaram sensação. Um ano antes a ABL lhe conferia o Prêmio Machado de Assis.

Muito amigo de Manoel Bandeira, Adelino também ficaria marcado no Rio dos anos 20 e 30 por sua adesão ao palavrão, às palavras ditas pornográficas, ou sujas. Tanto que quando da entrega do Prêmio Machado de Assis, alguns escritores protestaram, porque a “ABL estaria premiando os maus costumes, a indecência”, o que levou Nelson Rodrigues e o poeta Bandeira a lhe prestarem imediata solidariedade. Segundo o cronista Carlos Maul no livro “O Rio da Bela Época” Adelino teria sido o primeiro a introduzir o “palavrão-grosso” em seus trabalhos, o que inquietou muitos de seus leitores nas décadas de 10 e 20 do século anterior. O escritor, contudo, era, pessoalmente, muitíssimo bem comportado, “muito direito”, a “pudicícia em pessoa” nos seus quase dois metros de altura e extrema magreza. Quando em algum café do Rio, que ele frequentava assiduamente, alguém emitia sonoro palavrão, Adelino enrubescia como um pimentão e abandonava a roda. Ele trazia duas personalidades em seu comportamento pessoal: era sim o escritor que não tinha escrúpulos ao fixar em seus personagens contornos até sórdidos. Mas também era o professor de meninas da Escola Normal, que detestava ouvir histórias bravias, ousadas, indecentes…

Cito textualmente Carlos Maul no seu belo livro sobre a “Belle époque carioca dos anos 20”: “Adelino trouxe para a literatura brasileira um elemento novo, o palavrão, enfeitando enredo de arrepiar sensibilidades sensíveis na tímida “belle epoque” do Rio ainda muito distante das desafiadoras Paris e Berlim daquele mesmo tempo”.

Adelino (a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente) foi o lírico do palavrão, o poeta do ritmo escalógico, o romântico da porcaria verbal. Adelino Magalhães seria o cerra-fila do gênero, o século do palavrão, e deveria ser carregado em triunfo pelo mundo moderno a seguir. A mocidade de hoje deveria celebrar no velho Adelino o protesto, Por que ele se atrevia a veicular ditos sujos, os palavrões. “Não o cuspe, mas o escarro”, como Nelson Rodrigues ousou escrever. Tampouco eu nunca gostei de verbalizar palavrões, embora sempre respeitei seu eventual atrevimento.

Em resumo, tantas décadas depois verifico, emocionado, o quanto gente aguda e certeira como Drummond e Bandeira, além de Nelson, prestigiavam e defendiam os que foram vítimas de preconceitos por desfraldar bandeiras libertárias e fora da compreensão estreita de sua época, um tempo literário acanhado e não afeito a arroubos e extravagâncias de linguagem.

About the Author

Luiz Claudio de Almeida

Administrator

View All Posts

Post navigation

Previous: Desfile de Guilherme Tavares: Nova Coleção e Surpresa Especial no Rio
Next: Nova exposição no CCBB RJ encanta público com imagens inéditas e instalações monumentais

Postagens Relacionadas

IMG-20260621-WA0035
  • Colunistas

Ela apenas abriu uma carta

Luiz Claudio de Almeida 21 de junho de 2026
vac_abr2804232516
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Lula e Trump

Vicente Limongi Netto 20 de junho de 2026
988126-aaa_dsc_6693-004
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Sujeiras e mentiras

Vicente Limongi Netto 19 de junho de 2026

Recent Posts

  • Charge do Dia
  • Falso Alerta da Defesa Civil
  • Charge do Dia
  • “Mulheres na Linguagem Cinematográfica”
  • Ela apenas abriu uma carta

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • IMG-20260621-WA0146
    Charge do Dia
  • download
    Falso Alerta da Defesa Civil
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

IMG-20260621-WA0146
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 21 de junho de 2026
download
  • Agenda

Falso Alerta da Defesa Civil

Luiz Claudio de Almeida 21 de junho de 2026
IMG-20260621-WA0001
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 21 de junho de 2026
IMG-20260621-WA0004
  • Agenda

“Mulheres na Linguagem Cinematográfica”

Luiz Claudio de Almeida 21 de junho de 2026

Recent Posts

  • IMG-20260621-WA0146
    Charge do Dia21 de junho de 2026
  • download
    Falso Alerta da Defesa Civil21 de junho de 2026
  • IMG-20260621-WA0001
    Charge do Dia21 de junho de 2026

Tags

Arte Blocos de Carnaval Bolsonaro Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Cinema crime eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira mulher NetFlix OAB-RJ Política Portela rapper Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel violência

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.