
Minha entrevistada dessa semana é Rosane Menna Barreto Palha, executiva sênior de vendas com mais de 35 anos de experiência no setor de turismo e hotelaria no Rio de Janeiro.
Conhecida como uma profissional de destaque no segmento de receptivo internacional, sua trajetória inclui posições de liderança e representação global. Em nosso encontro, ela fala sobre a importância do turismo, dos desafios e dos momentos importantes de sua carreira. Confira!
JP – O que o turismo representa para você?
Sou brasileira e carioca, e adoro meu país e minha cidade. Viajo o mundo inteiro, mas adoro voltar.
Portanto, o turismo representa uma das melhores maneiras de divulgar o Brasil e o Rio lá fora. É um sentimento que vem da alma e do coração. Algo que me preenche e me faz feliz e se tornou parte da minha vida, Comecei em hotéis, na inauguração do Rio Palace (era a funcionária numero 20) , passando pelo Le Méridien e Rio Sheraton, começando em operadora em 1987. Mais da metade da minha vida…
JP – Quais foram os principais momentos da sua carreira profissional?
Minha maior experiência foi no Rio Palace, onde entrei ainda em obra, e vi nascer um maravilhoso empreendimento. Foi meu primeiro emprego, O Rio Palace foi elaborado para ser um hotel super fino e de alto padrão. Participei da escolha de uniformes, escolhas de aparelhos de café, almoço e jantar, inauguração do Pre Catelan, restaurante de altíssimo nível, Poucas pessoas sabem que as paredes dos corredores eram de um tecido a prova de fogo, que as chaves dos apartamentos foram feitas no exterior etc. Trabalhei com grandes profissionais e aprendi muito.
Um momento que não esqueço foi o show do Frank Sinatra no então Rio Palace, eu trabalhava lá na época, e entrei pela cozinha!
De lá fui para o Le Méridien, também de alto nível, com boite Régine´s , famosa na época…
Depois fiquei no Rio Sheraton 7 anos, que foi uma escola, com ensinamentos que levo até hoje.
Em 1987 comecei em grandes Receptivos e, durante estes anos, participei de eventos importantes culminando com a Jornada Mundial da Juventude. Copa do Mundo, Olimpiadas…São aprendizados que ficam na memória . Continuo até hoje neste mercado.
JP – Como tem sido sua atuação nos principais eventos internacionais?
Como sempre fui Gerente Comercial nos Receptivos que trabalhei, estive muito envolvida na Copa, Olimpíadas, JMJ etc., mas sempre na parte comercial, não de operações. Minha posição foi sempre contato com os clientes/responsáveis, negociações com fornecedores etc.
JP – Como Rio é percebido nos mercados emissores?
Bom, quem é antigo no mercado, ja viu muita coisa acontecer, altos e baixos. Já vimos o Rio na alta, com grupos enormes, divididos entre o Sheraton e o Intercontinental, por exemplo, já vimos em baixa, com hotéis incluindo importantes 5 estrelas pedindo “pelo amor de Deus” para vender, seja por causa da “bad press”, seja por o Brasil estar caro, etc.
(coisa que os hoteleiros novos desconhecem…).
Da pandemia para os dias atuais, tivemos um aumento grande de passageiros, incluindo brasileiros, que estão descobrindo o Rio. Na minha opinião, novos fatores contribuíram para isso no mercado nacional: Aumento do Dolar e do Euro, tornando as viagens internacionais mais caras, facilidade de acesso como carro/ônibus no exterior, tem um aumento crescente de interesse pelo Brasil e pelo Rio, sem duvida. Quem vem ao Brasil, quer conhecer o Rio. Para eles, ficou mais barato, por causa do cambio.. além da situação politica internacional, tornando o nosso destino mais “seguro e com atrativos para todos os gostos, seja natureza, museu, cultura, aventuras”. Além disto, , o Francês adora o Rio, nossa cultura, nossa musica. A nossa terra tem uma atmosfera, um astral, difícil de encontrar em outros destinos.
JP – Quais sao os grandes desafios do receptivo no Rio de Janeiro?
O grande desafio atualmente, na minha opinião , é a posição da hotelaria e dos fornecedores. O custos estão altíssimos. As condições de confirmação, pagamento etc. Estão leoninas, por vezes, absurdas. Infelizmente alguns tem memórias curtas, Outros responsáveis pelo comercial nos hotéis e/ou Revenue Managers são pessoas novas, que não passaram por situações semelhantes no passado. Tudo muda, nada é eterno. Não entendem o que é uma brochura de um cliente, uma programação anual ,por querem datas, o que nem sempre tem. Passam um preço , válido por 5dias. Em 5 dias , às vezes ., estes preços nem foram enviados. Se foram, o cliente lá fora ainda vai passar para o cliente dele, que vai vender para o cliente final. Falta o conhecimento desta corrente. Não protegem o operador local, porque querem vender ao passageiro final, com melhor preço, esquecendo que são as operadoras que viajam, participam de feiras, divulgam o produto no exterior podendo, inclusive,”desvender” algum produto, e que seguram as vendas num período baixa ocupação.
outro grande desafio no Rio é a segurança. Começando pelo acesso, pela Linha Vermelha. A imprensa só divulga notícias negativas, quem está fora, por vezes não sabe que certas coisas acontecem fora dos pontos em que os turistas normalmente frequentam. O Rio necessita de um maior trabalho de divulgação de coisas bonitas, positivas. Embora, volto a dizer, acho que a segurança é um ponto crítico e que deveria ser visto com mais atenção.
JP – Ser Embaixadora de Turismo do Rio de Janeiro é uma grande missão?
Sim, com certeza. Eu como Comercial de uma grande e importante DMC no Rio , tento me empenhar o mais possível, participando de feiras internacionais, viagens de vendas, divulgando as belezas do Rio de Janeiro, esta cidade que acho linda e com tanto a oferecer a quem nos visita.





