Contagem regressiva: “O DOPS esteve aqui. Reviraram tudo”
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Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de “Terra Revolta-João Pinheiro Neto” autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de “Terra Revolta-João Pinheiro Neto” autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
Petrópolis, 1º de abril de 1964.
O golpe já saíra dos quartéis. Agora, entrava nas casas.
Na véspera, meu pai, João Pinheiro Neto, presidente da SUPRA, seguira para a Terceira Zona Aérea com Abelardo Jurema, ministro da Justiça e deputado federal pela Paraíba, e Expedito Machado, ministro da Viação e Obras Públicas e deputado federal pelo Ceará. Os três pretendiam embarcar para Brasília.
Jurema e Expedito tinham mandato parlamentar e imunidade. Meu pai, não. Jurema aconselhou-o a deixar o Rio e se esconder.
Meu pai seguiu para a casa de um amigo, em Petrópolis. Apenas seu irmão e amigo de toda a vida, Baldomero Barbará Pinheiro, sabia onde estava. Então o telefone tocou.
Era Baldomero.
“O DOPS esteve aqui. Reviraram tudo.”
Antes, os agentes haviam revistado nossa casa. Lá estavam minha mãe, minha irmã de cinco anos, eu, com três, e minha irmã caçula, com seis meses.
Depois foram à casa de minha avó, com mais de setenta anos.
Ela jantava quando homens do DOPS entraram com metralhadoras em punho. Reviraram os livros e arrancaram as cortinas. Também haviam passado pela SUPRA.
Meu pai pensou: “Meu Deus, e o dinheiro do pessoal?”
O salário dos funcionários estava guardado no cofre da SUPRA.
Na manhã seguinte, Sarmento, tesoureiro do órgão, procurou meu pai no esconderijo. O novo interventor, coronel Hipólito Martiniano Gonçalves da Silva, queria a chave do cofre.
Meu pai determinou que Sarmento o abrisse e contasse todo o dinheiro na presença do coronel.
Não queria que depois alegassem que algum valor havia desaparecido.
Escondido e perseguido, ainda se preocupava em proteger o salário dos funcionários da SUPRA.
O relato está no livro de meu pai, João Pinheiro Neto, ” Jango: um depoimento pessoal”, Editora Record, 1993.
O golpe já saíra dos quartéis. Agora, entrava nas casas.
Na véspera, meu pai, João Pinheiro Neto, presidente da SUPRA, seguira para a Terceira Zona Aérea com Abelardo Jurema, ministro da Justiça e deputado federal pela Paraíba, e Expedito Machado, ministro da Viação e Obras Públicas e deputado federal pelo Ceará. Os três pretendiam embarcar para Brasília.
Jurema e Expedito tinham mandato parlamentar e imunidade. Meu pai, não. Jurema aconselhou-o a deixar o Rio e se esconder.
Meu pai seguiu para a casa de um amigo, em Petrópolis. Apenas seu irmão e amigo de toda a vida, Baldomero Barbará Pinheiro, sabia onde estava. Então o telefone tocou.
Era Baldomero.
“O DOPS esteve aqui. Reviraram tudo.”
Antes, os agentes haviam revistado nossa casa. Lá estavam minha mãe, minha irmã de cinco anos, eu, com três, e minha irmã caçula, com seis meses.
Depois foram à casa de minha avó, com mais de setenta anos.
Ela jantava quando homens do DOPS entraram com metralhadoras em punho. Reviraram os livros e arrancaram as cortinas. Também haviam passado pela SUPRA.
Meu pai pensou: “Meu Deus, e o dinheiro do pessoal?”
O salário dos funcionários estava guardado no cofre da SUPRA.
Na manhã seguinte, Sarmento, tesoureiro do órgão, procurou meu pai no esconderijo. O novo interventor, coronel Hipólito Martiniano Gonçalves da Silva, queria a chave do cofre.
Meu pai determinou que Sarmento o abrisse e contasse todo o dinheiro na presença do coronel.
Não queria que depois alegassem que algum valor havia desaparecido.
Escondido e perseguido, ainda se preocupava em proteger o salário dos funcionários da SUPRA.
O relato está no livro de meu pai, João Pinheiro Neto, ” Jango: um depoimento pessoal”, Editora Record, 1993.
Foto: Minha mãe, Leda Pinheiro, comigo e minha irmã, poucas semanas antes do golpe de 1964. Éramos apenas crianças, numa casa de família. Mal sabíamos o que vinha pela frente.













