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Uma lenda resistente

Uma lenda resistente

Uma história contada por tanto tempo, através de gerações, se declara independente ao longo dos anos, tornando quase impossível atestar a veracidade dos pormenores dos relatos que a difundiram pelo mundo. Está na maneira como ela é narrada, muito do que fortalece um fato ou personagens. E depois, o tempo se encarrega de fazer o boato virar lenda. Tatunca Nara, um tipo que se notabilizou por alegar ser o líder da cidade perdida de Akakor, é uma dessas histórias que não desiste de existir. Por décadas seu relato sedutor cativou incautos e todo o tipo de curioso disposto a se lançar em uma nova aventura. Mas entre escritores, jornalistas e exploradores interessados pelo místico, muitos não voltaram para casa para confirmar os relatos que os levaram a subir o Rio Negro e se embrenhar pela Amazônia. 

Dividida em três episódios, a série documental Morte e Mistério na Amazônia (HBO Max) cobre em detalhes a história de Tatunca. Um homem que, apesar de algumas condenações de fraude e uso de documentos falsos, é apontado como responsável por inúmeros homicídios. O suposto filho de uma missionária alemã com um líder indígena afirmou, por quase toda a vida, saber o paradeiro de uma cidade escondida na maior floresta tropical do mundo. Esse conto atraiu toda a sorte de curiosos que pagaram caro por confiar num homem que nunca foi o que vendeu a eles. Tatiana Issa e Guto Barra, dupla responsável por Pacto BrutalO Assassinato de Daniella Perez e Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça, disponíveis no mesmo serviço de streaming, resgata um personagem que provocou investigadores por décadas e que segue resistindo em desafiar os que contestam sua história. Tatunca é um nome internacional. Da Nova Zelândia à Suécia, passando pelos EUA, familiares de alguns de seus clientes ainda buscam por respostas e justiça, convictos da participação deste homem nos desaparecimentos de seus entes queridos. Tatiana e Guto assinam mais um registro impecável, sustentado por uma pesquisa e investigação igualmente dedicadas. Tal trabalho ressuscitou processos engavetados envolvendo esse folclórico personagem da região amazônica que avançou muito além do norte do país e entrou no radar das polícias da Suíça e da Alemanha. Advogados Criminalistas, Psiquiatras Forenses e Peritos Grafotécnicos se juntam aos que se debruçam sobre os documentos acumulados ao longo de décadas. E esse material contesta a narrativa construída por Tatunca, atestando, assim, que a verdade sempre existe, acontece e um dia aparece.