“Hipertelia – Marés de Mudanças”: exposição reúne artistas contemporâneos em diálogo com a coleção e os espaços da Casa Museu Eva Klabin
Uma casa que se transforma em museu. Objetos criados para determinadas funções que, séculos depois, passam a integrar uma coleção. Elementos arquitetônicos retirados de seus lugares de origem e incorporados a outros espaços. Obras cuja matéria, aparência e significado se modificam com o tempo. É a partir desses movimentos que a Casa Museu Eva Klabin apresenta, de 12 de setembro a 13 de dezembro, “Hipertelia – Marés de Mudanças”, exposição com curadoria de Camilla Rocha Campos que coloca trabalhos de Andréa Hygino, Antonio Obá, Daniela Seixas, Juliana dos Santos, Lia Rodrigues, Marcus Deusdedit, Rosângela Rennó e Suzanne Jackson em diálogo com obras e objetos da coleção reunida por Eva Klabin (1903–1991).
Com cerca de 50 trabalhos e ocupando o primeiro andar da casa, a exposição parte da ideia de que objetos, obras e espaços podem ultrapassar as finalidades para as quais foram concebidos e adquirir outras funções e sentidos. A montagem torna esse processo visível: peças da coleção serão deslocadas de suas posições habituais, elementos da arquitetura ganharão novas configurações e ambientes da casa serão reorganizados a partir da presença dos trabalhos contemporâneos.
O conceito de hipertelia chegou à pesquisa curatorial a partir de A natureza do espaço, livro do geógrafo Milton Santos. O termo descreve um processo em que algo se torna tão especializado em determinada função que, diante de uma mudança de contexto, já não consegue operar da mesma maneira. Para continuar existindo, precisa se transformar, assumir outra função ou estabelecer novas relações. A ideia encontra correspondência na própria trajetória da Casa Museu Eva Klabin e de sua coleção.
Confira como foi a abertura nas fotos de Cristina Lacerda.









































