Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2026
  • julho
  • O País Pesado – Tancredo, meu pai e o direito de conhecer a História
  • Colunistas

O País Pesado – Tancredo, meu pai e o direito de conhecer a História

Luiz Claudio de Almeida 28 de julho de 2026 5 minutes read
IMG-20260726-WA0058
Redes Sociais
           
Por  Henrique Pinheiro –  Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”,  organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
 Quando li a notícia de que finalmente será julgado o recurso movido por Tancredo Augusto Tolentino Neves, filho de Tancredo Neves (1910–1985), para obter acesso aos prontuários e demais documentos médicos da internação e da morte do pai, tive a sensação de que o tempo havia parado.
  Mais de quarenta anos depois, o Brasil ainda tenta compreender um dos episódios mais marcantes da redemocratização. A ação sustenta que o sigilo médico não pode ser absoluto quando está em jogo um acontecimento que pertence também à história do país. Os conselhos de medicina defendem posição diferente. A própria matéria lembra que persistem divergências sobre o diagnóstico que levou Tancredo à morte, discussão aprofundada no livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves, do jornalista Luís Mir.
 Não escrevo para defender teorias.
 Também não escrevo para apontar culpados.
 Escrevo porque essa notícia me levou imediatamente ao meu pai.
 João Pinheiro Neto carregou até o fim da vida as marcas de 1964. Presidente da SUPRA, responsável pela implantação da reforma agrária no governo João Goulart, foi preso, cassado e transformado, durante décadas, em um homem que muitos insistiam em chamar de “subversivo” ou “comunista”. Nunca foi nem uma coisa nem outra.
 Era um democrata. Um humanista.
 Costumava dizer que a vida lhe dera muito mais do que merecia e que queria apenas devolver ao Brasil um pouco do muito que recebera da sociedade.
 Tancredo conhecia essa trajetória desde muito antes da redemocratização. Em 1961, foi o primeiro-ministro do governo parlamentarista criado para viabilizar a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros. Mais tarde, já no gabinete de Hermes Lima, meu pai assumiria o Ministério do Trabalho. Pertenciam à mesma geração de políticos que acreditava ser possível transformar o país dentro da democracia e das instituições.
 Em fevereiro de 1985, poucas semanas após ter sido eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, meu pai viajou com Tancredo e Márcia Kubitschek para Washington. A fotografia que ilustra este artigo foi registrada durante sua apresentação no National Press Club, diante do governo e da imprensa americana, como o primeiro presidente civil do Brasil desde 1964. À esquerda da imagem está o embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Corrêa da Costa.
 Naquela viagem, meu pai estava feliz como eu não o via havia muitos anos.
 Depois de vinte e um anos carregando as marcas da cassação política, acreditava que finalmente poderia voltar a contribuir para um projeto de país. Não buscava cargos. Queria apenas servir ao Brasil mais uma vez.
 Pouco mais de dois meses depois, em 21 de abril de 1985, Tancredo morreria sem tomar posse.
 Nunca ouvi meu pai levantar suspeitas sobre aquela morte.
 Mas também nunca o vi compreendê-la.
 Lembro-me apenas da frase que repetia, quase como um desabafo:
“Meu Deus… que país pesado.”
 Hoje entendo melhor o que ele queria dizer.
 Naquele dia, o Brasil perdeu mais do que um presidente eleito.
 Perdeu a esperança de iniciar a Nova República sob a liderança de quem simbolizava a reconciliação nacional.
 José Sarney assumiu a Presidência conforme determinava a Constituição. Mas, para muitos brasileiros, a Nova República já nascera velha.
 Confesso que sua imagem na televisão sempre me transmitia essa sensação. O bigode impecavelmente aparado, o jaquetão e os modos de um político formado no regime anterior. Sua longa trajetória ao lado dos governos militares fazia parecer que o país havia mudado apenas de roupa.
 Era como um velho sofá reestofado.
 O tecido era novo.
 Mas a estrutura continuava a mesma.
 Vieram a hiperinflação, os sucessivos planos econômicos, a instabilidade e a frustração de uma geração que acreditava estar diante de um verdadeiro recomeço.
 Meu pai nunca mais recuperou aquele entusiasmo.
 A morte de Tancredo foi, para ele, a última pá de cal sobre qualquer esperança de voltar a participar da construção de um novo projeto nacional.
 Talvez por isso essa notícia seja tão importante.
 Não porque ela possa confirmar uma conspiração.
 Mas porque democracias maduras não têm medo de seus arquivos.
 Conhecer a verdade histórica, qualquer que ela seja, nunca enfraqueceu um país.
 O silêncio, esse sim, costuma pesar por muito mais tempo.
 Sempre que volto a olhar aquela fotografia feita em Washington, em fevereiro de 1985, não vejo apenas quatro pessoas diante de uma câmera.
 Vejo uma geração inteira acreditando que o Brasil estava prestes a recomeçar.
 E volto a ouvir a voz do meu pai, resumindo em uma única frase a frustração de uma geração inteira:
“Meu Deus… que país pesado.”
   Foto ( Acervo de família): Sérgio Corrêa da Costa, João Pinheiro Neto,  Tancredo Neves e Márcia Kubitschek.

About the Author

Luiz Claudio de Almeida

Administrator

View All Posts

Post navigation

Previous: Convenção estadual do PDT oficializa apoio a Eduardo Paes e lança candidaturas para senador e deputados
Next: Dia do Dirigente Cristão de Empresa

Postagens Relacionadas

Screenshot_20260728_152841_Instagram
  • Alex Gonçalves Varela
  • Colunistas

“A Vida é uma Entrega”

Alex Varela Gonçalves 29 de julho de 2026
20190622214816782060o
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Demagogia dos deputados e da governadora

Vicente Limongi Netto 28 de julho de 2026
ooceey-unity-in-diversity-4833440
  • Colunistas

“Farmar Aura”: quando modismos digitais deixam de ser brincadeira e passam a exigir responsabilidade

Luiz Claudio de Almeida 28 de julho de 2026

Recent Posts

  • “A Vida é uma Entrega”
  • O impossível acontece a poucos centímetros do público
  • Demagogia dos deputados e da governadora
  • Jantar apresenta Pedro Wagner no papel de Ferreira Gullar em “Rabo de Foguete”
  • Grupo Estação e ABRACI recebem Medalha Pedro Ernesto

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • Screenshot_20260728_152841_Instagram
    “A Vida é uma Entrega”
  • IMG-20260728-WA0076
    O impossível acontece a poucos centímetros do público
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

Screenshot_20260728_152841_Instagram
  • Alex Gonçalves Varela
  • Colunistas

“A Vida é uma Entrega”

Alex Varela Gonçalves 29 de julho de 2026
IMG-20260728-WA0076
  • Agenda

O impossível acontece a poucos centímetros do público

Luiz Claudio de Almeida 28 de julho de 2026
20190622214816782060o
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

Demagogia dos deputados e da governadora

Vicente Limongi Netto 28 de julho de 2026
Lírio Ferreira, Claudia Ahimsa, Pedro Wagner e Glaucia Camargos
  • Cultura
  • Variedades

Jantar apresenta Pedro Wagner no papel de Ferreira Gullar em “Rabo de Foguete”

Luiz Claudio de Almeida 28 de julho de 2026

Recent Posts

  • Screenshot_20260728_152841_Instagram
    “A Vida é uma Entrega”29 de julho de 2026
  • IMG-20260728-WA0076
    O impossível acontece a poucos centímetros do público28 de julho de 2026
  • 20190622214816782060o
    Demagogia dos deputados e da governadora28 de julho de 2026

Tags

Arte Blocos de Carnaval Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Cinema Congresso crime Cultura eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira mulher OAB-RJ Política Portela rapper Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel violência

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.