
Minha convidada dessa semana em “Chico Vartulli Convida” é a artista plástica Chris Jorge, que vem se dedicando à pintura em aquarela e acrílica há 3 anos e já está inserida na cena da arte contemporânea do Rio de Janeiro. Participa de diversas exposições e se afirma cada vez mais por meio de suas pesquisas e obras.
Chris traz para as artes plásticas sua experiência no mundo da moda, onde atuou por duas décadas como estilista de marcas cariocas. Nesse período, desenvolvia coleções em que a natureza e as flores sempre estiveram presentes em suas estampas e desenhos de bordados. Somam-se a isso os conhecimentos e habilidades adquiridos na formação em Arquitetura, ainda na juventude, que hoje integram seu processo criativo.
Com um olhar atento ao meio ambiente e às suas narrativas, transparece em suas pinturas a paixão pela natureza — motivação central de sua pesquisa visual mais recente, que se relaciona com questões ambientais, políticas e culturais do Sul Global.
Recentemente participou da exposição *PULSAR*, na Galeria Dobra, onde apresentou obras que evidenciam essa ligação com a Terra. Sua estética traz uma narrativa de urgência para esse olhar voltado ao que vem da terra e da natureza, algo essencial para os tempos atuais. Em suas pinceladas evidencia-se a apropriação de uma estética que trata a Terra com o tempo, como se vê em cada obra.
Também esteve no Parque Glória Maria, na Biblioteca Parque Estadual e no Centro Municipal Calouste Gulbenkian.
Atualmente, integra exposições no Centro Cultural Laurinha Santos Lobo, em mostra homenagem a Laurinda pela Galeria Zagut, e na exposição “Redondilhas”, na Galeria Portão Vermelho, na Fábrica Bhering — um espaço cultural de arte que abriga diversas galerias.
Ela já expôs na Galeria OLUGAR Arte Contemporânea, na Bhering, em coletiva no Consulado Argentino, no Espaço Travessia do Instituto Municipal Nise da Silveira e no Centro Cultural Municipal Hélio Oiticica. Em 2025, teve sua obra selecionada e transformada em uma das bandeiras de mais de 2 metros para o Cortejo da Parada 7, em setembro, ao lado de artistas brasileiros e estrangeiros.

JP – Olá, Chris Jorge! Qual é o balanço que você faz da sua trajetória como artista plástica?
Artista: Trago para minha trajetória toda a experiência da graduação e do período profissional no ramo da moda, com pesquisa e desenvolvimento de estampas, sempre movida pela paixão pela natureza.
JP – Qual o tipo de pintura que você se dedica a produzir?
Artista: Produzo pinturas em aquarela e também em acrílica. Materializo ideias e sentimentos, trago à tona narrativas e provoco a observação e a reflexão sobre temas ligados ao meio ambiente e ao social.
JP – Como se deu a sua formação como artista plástica?
Artista: Desde pequena eu fazia meus desenhos inspirados em gibis e os transformava em formatos grandes. Desenhava também jardins e mulheres com roupas estampadas.
Logo depois da graduação em Arquitetura ingressei na moda, criando coleções para várias marcas cariocas. Retomei a pintura há cerca de 3 anos, com aulas de aquarela, e trouxe para o ateliê todo o conhecimento acumulado em décadas no universo da moda.
JP – Como você caracteriza seu “fazer artístico”?
Artista: Minhas obras atuais, são registros singulares da natureza que geram reflexões sobre o meio ambiente, assim como sobre questões políticas e culturais do Sul Global.
JP – Quais são os temas principais das suas telas?
Artista: Meus temas principais vêm das nossas raízes, de onde vem a vida. Hoje, temos uma grande preocupação em preservar essa natureza vital para a nossa sobrevivência. São temas que se relacionam com o antropoceno. Uma das questões mais urgentes da contemporaneidade.
JP – Qual é a definição de arte que você compartilha?
Artista: Nós, artistas, nos manifestamos e pensamos por meio da arte. Expressamos o tempo em que vivemos e suas questões.
JP – Quais são os seus artistas plásticos preferidos?
Artistas: São muitos os artistas cujos trabalhos eu admiro. Posso citar alguns como Cícero Dias, Burle Marx, Manoel Santiago, Tarsila do Amaral, Gonçalo Ivo, Hélio Melo… E entre os artistas atuais, destaco Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Paula Rego, Rosana Paulino, Marcelo Rezende, Raimundo Rodriguez, Osvaldo Carvalho e Omarcca.
JP – Quais são os seus projetos futuros?
Artista: Estou desenvolvendo uma nova série para uma exposição no exterior, que faz uma relação entre meio ambiente e a cultura latino americana, reforçando nossa identidade, processos decoloniais, e a potência do Sul Global.






